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Japão nega espionagem após detenção de jornalista pela Rússia

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, negou hoje qualquer atividade de espionagem na Rússia, após a detenção por Moscovo de um jornalista nipónico acusado de espionagem.

"Não há qualquer facto desse tipo", declarou Takaichi aos jornalistas, em resposta a uma pergunta sobre as acusações russas.

"A proteção dos cidadãos japoneses é extremamente importante neste momento, e tencionamos concentrar os nossos esforços nesse objetivo", acrescentou.

Nos últimos anos, a Rússia deteve vários cidadãos de países que considera hostis, acusando-os de trabalhar para os serviços secretos ocidentais.

Na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo identificou o jornalista como sendo Yuki Imai, do jornal Hokkaido Shimbun, tendo uma porta-voz declarado que o mesmo estava acusado de "realizar atividades de espionagem em território russo".

Em resposta, Tóquio convocou o embaixador da Rússia para protestar contra a detenção, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelado a um "tratamento justo e imparcial".

Takaichi afirmou hoje que os pormenores das acusações são vagos. "As leis nacionais diferem de país para país, pelo que ainda não conhecemos os pormenores daquilo a que eles chamam de alegação. No entanto, o Japão defenderá firmemente a sua própria posição", disse.

O serviço de segurança russo FSB indicou, anteriormente, que um cidadão japonês foi detido na ilha de Sakhalin, no extremo oriente russo, nas proximidades de um arquipélago disputado, sem, no entanto, revelar a identidade da pessoa.

O FSB apontou que essa pessoa tinha trabalhado para os serviços secretos japoneses, com o objetivo de recolher informações sobre a defesa da Rússia. Moscovo e Tóquio estão envolvidas há décadas numa disputa territorial relativa ao estatuto de um arquipélago no Oceano Pacífico, ao largo da costa nordeste do Japão e a sudoeste da região russa de Sakhalin.

Denominadas Curilas do Sul pela Rússia e Territórios do Norte pelo Japão, estas ilhas fazem parte da região russa de Sakhalin. Chamam-se Iturup (Etorofu em japonês), Kunashir (Kunashiri), Shikotan e Habomai (um conjunto de ilhotas que tradicionalmente são consideradas uma ilha).

No entanto, para o Japão, estas ilhas continuam a pertencer ao departamento insular de Hokkaido, tal como antes da Segunda Guerra Mundial, e estão "ilegalmente ocupadas pela Rússia".

O Hokkaido Shimbun indicou num comunicado estar a par do anúncio russo, mas "ainda a verificar os detalhes". "Garantir a segurança do jornalista é a nossa prioridade absoluta e estamos a agir em conformidade", sublinhou a publicação.

Outubro 15, 2026 . 09:30

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