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Ferrovia – A Hora Decisiva

Outubro 12, 2026 . 10:30
No dia 24 do passado mês de Setembro, foi apresentado em Bruxelas o “Plano de Operações 24 SET 2026”, pelo Coordenador François Bausch, que determinou o uso da bitola europeia nas ligações ferroviárias entre todos os países membros, a fim de permitir o transporte de passageiros e de mercadorias em regime de concorrência em toda a União Europeia.

Em dois parágrafos, o relatório resume o essencial da decisão que apenas confirma decisões anteriores:  “O desenvolvimento de comboios de alta velocidade deve avançar em paralelo com a modernização multimodal de ligações para passageiros... completando as infraestruturas ferroviárias necessárias para o transporte eficiente de mercadorias, é essencial.”

“O desenvolvimento progressivo de um sistema de comboios de alta velocidade baseado na bitola europeia é essencial para assegurar bons serviços e concorrência livre e justa em todo o corredor.”

Não se pode ser mais claro em contrariar a decisão do governo português de manter a bitola ibérica nas novas linhas do Porto a Lisboa e de Lisboa a Madrid e apenas para passageiros, o que impede Portugal de receber o apoio financeiro de Bruxelas que poderia chegar a 85% do investimento. Razão do governo da AD ter optado pelo financiamento a ser feito através das celebradas parcerias público/privadas de José Sócrates, a pagar pelos portugueses em trinta anos.

Que eu saiba, o governo e a empresa pública IP ainda não reagiram a esta confirmação da bitola europeia em toda a rede ferroviária da Europa, sendo que o silêncio não é uma boa indicação da decisão das autoridades portuguesas.

Porque quer a AD quer o PS, têm actuado em defesa de interesses particulares à custa do futuro da economia e das exportações portuguesas, processo iniciado através das cedências feitas ao PCP pelo PS em 2015, para a formação da geringonça, com a ideia de que isso defenderia a CP e a Medway da concorrência internacional. Ou seja, na prática a aceitação da dependência das exportações portuguesas das plataformas logísticas espanholas, nossos maiores concorrentes.

Dependência confirmada pela empresa IP, que justifica a manutenção da bitola ibérica porque os espanhóis não deixam fazer a ligação entre os dois países através da bitola europeia. Ou seja, a decisão mais cobarde alguma vez assumida por um governo português ao longo da história.

Cobardia que é comum aos restantes partidos representados na Assembleia da República, que há demasiado tempo se mantêm silenciosos relativamente à questão ferroviária. De facto, os partidos políticos portugueses há mais de trinta anos que calam a continuada degradação do sistema ferroviário nacional, a favor das autoestradas e do uso do automóvel.

Apesar de todos os partidos encherem a boca com a defesa do ambiente, nomeadamente para enriquecerem os produtores das energias do vento e do sol, condenam os transportes colectivos, nomeadamente o ferroviário.

Esta incapacidade dos partidos políticos, resulta em grande parte da escolha dos deputados ser feita pelos chefes partidários em vez de pelos cidadãos eleitores, de que resultam deputados com cada vez menos qualificações e com cada vez mais interesses na defesa de bons empregos no Estado e nos negócios que o Estado permite. Razão de um País mais pobre, com uma economia de crescimento medíocre, com exportações e produtividade do terceiro mundo, nomeadamente devido ao abandono da indústria e o privilégio do turismo.

Uma economia constituída por muito pequenas empresas comerciais, que sem investimentos em equipamentos e tecnologia, representam a garantia da baixa produtividade e dos baixos salários, algo que as manifestações e as greves não mudam. Além de governos que não sabem, não estudam, não planeiam e se limitam a tentar sobreviver. Até quando?

Outubro 12, 2026 . 10:30

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