
Movimento Cívico pela Linha do Vouga diz que estudo força escolha entre “mau e pior”
Em comunicado nas redes sociais, essa organização manifesta a sua “mais profunda indignação e preocupação” face às declarações de um dos responsáveis do conselho de administração da empresa Transportes Metropolitanos do Porto, que terá informado a Assembleia Municipal de Santa Maria que o estudo em causa, para o troço do chamado “Vouguinha” entre Oliveira de Azeméis e Espinho, está a equacionar “exclusivamente duas alternativas: a conversão para bitola ibérica ou a implementação de um sistema BRT ('Bus Rapid Transit'), também conhecido por metrobus”.
“O estudo ignora a melhor solução para forçar a escolha entre o ‘mau’ e o ‘pior’”, reclama o Movimento Cívico pela Linha do Vouga. “Ao remeter para o esquecimento a solução de modernização mantendo a atual bitola métrica, a Área Metropolitana do Porto e as entidades envolvidas poderão estar a incorrer num gravíssimo erro de planeamento técnico e financeiro”, realça.
Em causa estão o que a organização cívica classifica como “quatro contradições insustentáveis”: a exclusão “deliberada” da atual bitola métrica como a solução que o Movimento considera “ideal”; a “falsa narrativa” de reativação de uma linha férrea que “está ativa” e em funcionamento diário; a “devassa do investimento público” dada uma “irracionalidade de gestão sem precedentes” nas obras relativas a essa ferrovia; e “a grande mentira” sobre a inconveniência do transbordo em Espinho para ligação à Linha do Norte, para destinos em direção a Lisboa ou Porto.
No que se refere à primeira dessas contradições, o Movimento explica: “O debate poderá estar a ser viciado para empurrar as populações para um falso dilema entre a solução má da reconversão para bitola ibérica – cujo projeto será inevitavelmente de custos astronómicos, com obras pesadas e destrutivas nas malhas urbanas, e cujos raios de curva na Linha do Vouga são manifestamente incompatíveis com o comboio convencional de via larga – e a solução pior, do Metrobus – que significa o desmantelamento da infraestrutura ferroviária”.
Quanto à falsa narrativa da “reativação”, a mesma estrutura cívica considera “chocante ver responsáveis políticos utilizarem o termo quando se referem à Linha do Vouga”, que nunca esteve fechada entre Aveiro e Espinho, e continua a servir diariamente centenas de passageiros.
Sobre o investimento público, a plataforma cívica destaca: ”A [empresa pública] Infraestruturas de Portugal e o Estado estão neste exato momento a executar trabalhos de Renovação Integral de Via e a investir milhões de euros na infraestrutura atual, em bitola métrica. Como é possível que, em paralelo, a Área Metropolitana do Porto possa estar a gastar recursos para estudar a destruição desse mesmo canal para mudar a bitola ou aí passar autocarros?”
Nesse contexto específico, a contradição reflete “um desrespeito absoluto pelos dinheiros públicos e pelos contribuintes”.
Sobre o transbordo em Espinho, a crítica do Movimento é que quem antes atacava a bitola métrica com o argumento de que inviabilizava viagens diretas ao Porto, agora não se preocupa que o metrobus obrigue à mesma mudança entre veículos.
“Se o transbordo em Espinho afinal já serve para um autocarro sobre pneus, porque é que não serve para um comboio elétrico moderno, rápido, silencioso e de elevada capacidade sobre os carris em bitola métrica?”, questionam.
Para essa organização cívica, é preciso avaliar se o mais importante é “servir a região ou ceder a interesses obscuros”. Apontando a bitola métrica como “a única opção financeiramente viável, ambientalmente responsável a longo prazo e de execução rápida”, o Movimento diz que a insistência em ignorá-la demonstra que o estudo para modernização da Linha do Vouga “não nasce da necessidade dos cidadãos das Terras de Santa Maria, mas sim de uma presumível tentativa de acomodar interesses obscuros que procuram o a todo o custo o desmantelamento ferroviário e o favorecimento de outras soluções, nomeadamente rodoviárias”.
A Lusa tentou obter um esclarecimento da Transportes Metropolitanos do Porto mas não obteve resposta.
A bitola métrica utilizada na Linha do Vouga tem um metro entre carris e é apontada como estreita. Já a bitola ibérica, considerada larga, é de 1,668 metros e constitui o padrão dominante em toda a rede ferroviária convencional em Portugal e Espanha.








