
Turismo do Interior “a uma só voz” em congresso internacional
Depois da primeira edição em Cáceres, Espanha, em 2024, o Congresso Mundial Turismo do Interior decorre na Guarda, nos dias 18 e 19 de novembro e, a dois meses do evento, estão já confirmados representantes de cerca de 15 países, como Alemanha, Angola, Argentina, Bolívia, Colômbia, Colónia, Estados Unidos, Egipto, Irlanda ou Nigéria.
«O primeiro objetivo é perceberem todos, de uma vez por todas, que o interior é destino. Segundo, pôr estes territórios no mapa e tentar aprender com estes países a realidade deles», explica Miguel Martins, presidente da AITI – Associação Ibérica de Turismo do Interior, entidade organizadora do congresso, que terá como região convidada Cáceres e Castelo Branco como destino convidado.
A ideia é criar um espaço de encontro e cooperação dedicados a estes territórios do interior, reunindo elementos do setor público, do setor privado, da academia e dos mais variados destinos do mundo com vista ao desenvolvimento do turismo.
Sendo o turismo definido como «um instrumento de coesão territorial, valorização dos recursos locais e desenvolvimento equilibrado, colocando as pessoas e os territórios no centro das decisões», Miguel Martins tem referido, por várias vezes, que importa que o interior fale «a uma só voz» e não tem “papas na língua” quando afirma que «há falta de estratégia» para o setor.
Numa análise aos dados do turismo nestes territórios de baixa densidade, o presidente da AITI recorda que «entre os números que o país tem, se tirarmos Lisboa, Porto, Fátima, Algarve e Madeira, o que sobra é residual e por mil uma razões: estruturais, a comunicação, a falta de visão, estratégia, por aí fora».
«Só para ter uma ideia, a Beira Baixa e Extremadura juntos, e tendo em conta todo o turismo que a Península Ibérica recebe, se calhar não representam 1% do turismo que é recebido na Península Ibérica», alerta.
«Para consolidar uma marca e um destino leva anos, mas leva anos com algo bem feito e pensado. Agora, quando disser que é tudo feito a vulso, é muito mais complicado», lamenta.
Mais. «O turismo está na moda, o turismo no interior está na moda, é bom falar do interior, mas continua exatamente tudo na mesma, é igual», adianta, certo de que o poder público «tem, de uma vez por todas, que se sentar à mesa e perceber o que vai fazer».
«É tudo a vulso e os milhares, para não dizer milhões, que se gastam numa promoção em planos, em marketing, em “30 por uma linha”, não nos levam a nada», continua, lamentando o reduzido retorno para quem está no terreno. «É um rio de dinheiro a correr para o mar, que na maior parte das vezes pouco sentido faz», reforça.
Miguel Martins dá como o exemplo o que se passa na vizinha Espanha: « É um modelo diferente. Se falamos do turismo da Andaluzia sabemos o que é a Andaluzia, nós vamos para León, para Castilla, sabemos o que é, vamos para Galiza sabemos o que é que encontramos.
Já nós temos, por exemplo, o caso das Beiras, temos Beiras e Serra da Estrela, depois temos Beira Baixa» e ainda Alentejo, três zonas que o responsável acredita que se podiam trabalhar de «uma maneira completamente diferente e de forma muito mais efetiva», como a promoção.

No entanto, ressalva, «não são só fatalidades» e importa que se deixe de pensar sobre quem está nesta zona como «os coitadinhos deste país».
«Quem cá vive também tem que deixar de estar à espera de que digam “olha, precisamos disso, o que é que vão fazer para nós?”.
Não, nós é que temos que fazer para nós, e quando nós percebermos que temos que fazer para nós, as coisas vão mudar, sem dúvida nenhuma que vão mudar», defende, sem deixar de acrescentar que as estratégias «não podem mudar, consoante os ciclos políticos».
Como tal, Miguel Martins salienta que a principal palavra é dos privados.
«Todos os municípios gostam de ter a sua estratégia, uma comunidade intermunicipal, gostam de ter a sua estratégia, mas a maior parte das vezes, nem se quer pergunta aos privados o que é que se passa. Muitas vezes, perguntam e eles não lhes respondem. Não respondem e a razão é simples: estamos fartos deste tipo de situação», adianta, sem rodeios.
Motivo de orgulho para a AITI é o apoio das cinco regiões de turismo ao congresso, o que, na sua opinião, é demonstrativo da união em torno do interior.
«Se queremos convidar alguém para visitar o nosso país e perceber o que é ser português, tem que vir ao interior», sublinha Miguel Martins.
«Autenticidade somos nós e temos de comunicar também isso», sem que tal signifique «criar marcas, marquinhas e submarcas».
As inscrições já se encontram estão abertas.
PROGRAMA:
DIA 1 – 18 DE NOVEMBRO
09h30 — Abertura Oficial
10h00 — Turismo Ibérico: concorrência ou complemento?
Com Raúl Castro Cano, Xosé Manuel Merelles, Carlos Abade, Luís Pedro Martins e Ignácio Ruiz Guerra.
11h45 — Conferência
«Petra Beyond the Treasury: Heritage, Communities and the Future of Inland Tourism»
Com Bayan El Faouri.
12h00 — O Interior fala: o que pensam os que lá vivem sobre o turismo
Com Miguel Ángel Morales, Ita Kennedy, Norma Escamilla, Jorge Costa e Pedro Pontes.
13h00 — Almoço
(Não incluído)
15h00 — Quando o Turismo Renasce das Cinzas: destinos após incêndios e catástrofes
Com Rui Ventura, André Gomes, Sandra Sánchez, Móhammed El-Dief e Frank Babinger.
16h15 — Conferência
Com Luís Loures.
16h30 — Cultura, Identidade e Emoção: o poder das narrativas locais
Com Carlos Ferreira, Paulo Martins de Almeida, Aroa Montero Pérez, Ibrahim Elassal e Dalila Dias.
DIA 2 – 19 DE NOVEMBRO
09h30 — Turismo e Emoção: o que sentimos quando viajamos (e quando recebemos)
Com Todd Famer, Alejandra Caballero, Maria Szuber, Pedro Carvalho e José Duran.
11h30 — Conferência
«A Atividade Cinegética como motor do Turismo de Interior»
Com José Luis Coca Pérez.
11h45 — E se o Turismo parasse? Viagem a um futuro sem turistas
Com Rosa Elia Martinez Torres, Shobiye Oludayo, Ignacio Gragera Barrera, Santiago Cano e Hugo Teixeira Francisco.
13h00 — Almoço
(Não incluído)
15h00 — Entre o Paraíso e a Fragilidade: Turismo Insular e Responsabilidade Ambiental
Com Hamilton Fernandes, Eduardo Moraes Sarmento e Vera Leitão Machado.
16h30 — Sessão de Encerramento







