
“A melhor prenda foi a integração de dez novos bombeiros no corpo ativo”
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tondela comemorou o 103.º aniversário no dia 16, feriado municipal. A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, bem como do executivo municipal e outras entidades.
O seu presidente, António Mano, confessou ao Diário de Viseu que teve, nesse dia, “a melhor prenda possível”, referindo-se à integração de dez novos bombeiros no corpo ativo”.
“Temos nesta altura 92 elementos, dos quais dez são jovens a iniciar a sua carreira e temos esperança que aqui permaneçam muitos anos. É um investimento muito grande que fazemos na sua formação e no equipamento e pretendemos que eles se sintam em casa para nos ajudarem na nossa missão. Dá-nos esperança para o futuro, a certeza da continuidade e de um legado de socorro e proteção das pessoas”, referiu.
O capital humano é, no seu entender, o mais importante, “numa altura de crise em termos de voluntariado”.
“Nas associações humanitárias, os quartéis, as viaturas, os equipamentos são sempre importantes e nós podemos ter isso tudo, mas se não tivermos o capital humano, a massa humana disposta a trabalhar, nada disso nos vale”, reforçou.
António Mano destacou a bênção de duas novas viaturas, uma ambulância e uma viatura de transporte de doentes, apadrinhadas por duas empresas.
“Considero que com estas novas viaturas, está fechado o ciclo da renovação do parque automóvel relativamente ao transporte de doentes não urgentes e às ambulâncias de socorro. Durante um bom par de anos a associação está servida deste tipo de viaturas”, considerou.
O presidente não deixou de lamentar que os bombeiros de Tondela não tenham sido recentemente contemplados com viaturas florestais de combate a incêndios. Referiu que a viatura mais nova tem 14 anos e que as restantes são da década de 90. Este quadro leva o responsável a traçar um objetivo.
“A nossa intenção é virmos a ter em setembro de 2027 uma viatura florestal contra incêndios. É lógico que o município, as empresas e as gentes de Tondela têm de ser nossos parceiros neste projeto, porque é um investimento muito grande para uma associação de bombeiros fazer sozinha, sem qualquer tipo de acordo. Mais uma vez, terão de ser as associações, as populações e os municípios a substituirem-se ao Estado”, lamentou.
António Mano revelou que desafiou o secretário de Estado a vir a Tondela nessa altura para ver “com os seus próprios olhos a massa de que as pessoas da beira são feitas e para lhe mostrar a nossa indignação pelo que é feito muitas vezes em Lisboa, com critérios que nós muitas vezes não conseguimos compreender e que não se justificam. É lógico que ficamos contentes quando uma corporação recebe equipamento. Ficamos é tristes por nós não recebermos e não sermos reconhecidos por isso”.
Por último, o presidente abordou a entrega de medalhas na cerimónia de aniversário, destacando o crachá de ouro ao comandante Nuno Pereira e as distinções atribuídas a Andreia Coimbra e Paulo Almeida.
“Fizemos um ato de justiça ao reconhecer o trabalho e a dedicação dos nossos bombeiros, que despendem muitas horas, muitas noites e muitos dias para fazer um trabalho em prol da sociedade e das pessoas, de forma gratuita, sem querer receber nada em troca”, concluiu António Mano.










