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O 11 de Setembro

Setembro 14, 2026 . 13:15
Passaram 25 anos desde o ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque e os seus efeitos ainda hoje são sentidos, sendo que o terrorismo internacional, que então dava os primeiros passos, não desapareceu e, pelo contrário, generalizou-se um pouco por todo o mundo.

Ora era exactamente isso o que eu temia, quando ainda a quente no próprio dia 11 de Setembro, escrevi um texto que foi publicado no jornal Notícias de Leiria poucos dias depois, com o seguinte título: “Parar para pensar”.

“Escrevi então: “Escrevo estas linhas a quente, cerca se uma hora depois de todos os noticiários mundiais estarem concentrados num único tema: o aparente ataque terrorista ao poder e ao prestígio dos Estados Unidos, com dois aviões, ao que tudo indica comerciais, a explodirem contra as torres do “World Trade Center”, em New York. Trata-se de um acontecimento criminoso e trágico, que certamente provocou e provocará muitas vítimas inocentes, mas é também um acontecimento simultaneamente previsível e histórico, que não deve ser tratado de forma simplista”.

Escrevi mais à frente: “Trata-se também de um acontecimento histórico, cuja dimensão aumenta à medida que passam os minutos desta informação global em que vivemos, o que vai implicar uma mudança de paradigma sobre o conceito de guerra e abre uma nova fase na capacidade de acção e de organização do terrorismo internacional, representando uma “vitória”, ainda que temporária e trágica, para os extremistas de todo o mundo. Vitória que projectada pelos meios de comunicação, representa uma capacidade acrescida de recrutamento sobre os milhões de seres humanos que vivem na mais extrema miséria e na mais absoluta ignorância, seres humanos que são também povos e culturas sem alternativas dignificantes, que a nossa civilização abandonou à sua sorte e se recusa a tentar compreender.”

Acrescentei depois:” Os Estados Unidos, ou a civilização ocidental, reagirão certamente em força, castigando os culpados pela barbaridade dos actos cometidos, talvez cerquem e ataquem o Afeganistão ou outro qualquer local onde pensem encontrar os criminosos, mas melhor será que nos interroguemos sobre as causas de tudo isto e se abram novas perspectivas de desenvolvimento equilibrado e justo em todo o planeta, nomeadamente através de um diálogo genuíno e não da habitual imposição dos nossos interesses e dos nossos valores a outros povos, civilizações e culturas.”

Conclui depois: “Em muitas partes do mundo os ricos e os poderosos já vivem cercados por altos muros e por arame farpado, agora, com o que aconteceu hoje (terça-feira) poderemos facilmente ceder à tentação de criar estados policiais contra a imigração, a miséria e o terrorismo. Suponho, todavia, que essa não será a via correcta e talvez seja uma oportunidade de parar para pensar, porque é certamente mais útil para a nossa civilização concluir que algo deva ser feito no sentido de criar condições de progresso e de desenvolvimento para todos os povos, bem como promover e reconhecer o respeito e a dignidade de todos os seres humanos.”

Como sempre consegui em muitos outros casos, não errei na análise nem no prognóstico. Infelizmente, foram os dirigentes mundiais, com os Estados Unidos na linha da frente, que continuaram os erros do passado: invadiram o Afeganistão e acabaram a fazer a guerra ao Iraque, com o resultado de centenas de milhares de mortos e de estropiados e a nós só nos resta perguntar, porquê? Respondo por mim: porque a maioria dos dirigentes mundiais escolhidos pelos povos, não têm a qualidade, a ética, a experiência e a visão necessárias para as tarefas que lhes cabe decidir. Foi assim há 25 anos e é assim hoje, seja nos Estados Unidos, seja em Portugal.

Setembro 14, 2026 . 13:15

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