PRR - Programa de Recuperação e Resiliência
Não em Portugal, onde o assunto é tratado desde o seu início sem um plano e sem medir as suas consequências. Que, como escrevi desde o início, os resultados não seriam mensuráveis, dada a dispersão dos diferentes objectivos, razão de ter proposto apenas duas áreas onde gastar o dinheiro: Educação, com assento principal nas creches e no pré-escolar e na Industrialização. Não vou aqui repetir as razões por que estes dois objetivos seriam transformadores da economia e da sociedade portuguesa, o que pode ser lido no plano que então publiquei.
Podemos apenas concluir o que então escrevi, que o PRR não teria efeitos transformadores da economia e da sociedade portuguesa e indiquei dois exemplos nacionais dessa capacidade transformadora: os casos da adesão à EFTA e do Pedip/AutoEuropa que, por comportarem objectivos claros, tiveram consequências que se verificaram no crescimento da economia e das exportações.
Ora, presentemente, as exportações voltaram a não superar os 50% do PIB, as mais baixas de todos os países da União Europeia, naturalmente entre os países da nossa dimensão e com pequenos mercados internos.
Quanto ao crescimento da economia, é menor do que a inflação, ou seja, estamos no local de onde partimos e posso garantir que com o modelo económico que temos, não vamos sair daí.
Claro que o Estado pagou com o dinheiro da bazuca alguns dos seus próprios, dispersos e duvidosos investimentos, algumas empresas receberam apoios, o que dado o modelo económico vigente de pequenas empresas e de mercado interno, além do turismo, é um modelo em que esses investimentos dispersos não têm efeitos relevantes no conjunto da economia e alguns certamente influenciados pelos habituais arranjos entre amigos dos dois partidos da área do poder.
Dito isto, não acredito que alguém com responsabilidade política se preocupe em medir os resultados do PRR.
Não me enganarei se disser que o governo e os partidos deixarão isso para alguns técnicos, cujas conclusões se dividirão de acordo com a ideologia e o governo preocupar-se-á em encontrar algum outro dinheiro em Bruxelas.
A menos que o Presidente da República se preocupe com o assunto, como considero se deva preocupar, chamando a atenção do País para a necessidade de uma avaliação séria dos resultados, mas também das causas de os resultados serem fracos.
Porque se trata de um daqueles casos que pela sua importância estratégica supera muito o interesse que o País devota a acontecimentos menores, desde o ministro da Administração Interna ao futebol, passando pela digitalização dos exames e pela análise psicológica de Donald Trump feita diariamente na comunicação social.
Porque, como tenho dito e redito, é essencial que aprendamos com a realidade dos erros e das insuficiências da nossa vida colectiva para concluir sobre a necessidade de uma estratégia para o futuro e de haver um sistema de planeamento de forma que os erros tenham consequências e alguma utilidade.
Claro que, repito, não acredito que algo de semelhante aconteça, já ando nisto há demasiado tempo para acreditar nas bruxas que se diz existirem.





