
BE questiona tempos de espera para primeira consulta de psicologia no SNS
O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre os tempos de espera para a primeira consulta de psicologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, segundo a bastonária dos psicólogos, pode chegar a meio ano.
Numa pergunta datada de sexta-feira, a representação parlamentar do BE considera o reforço de 300 psicólogos nos cuidados de saúde primários que, segundo a bastonária dos Psicólogos, está previsto até dezembro de 2026, "claramente insuficiente" face à procura.
"Face à falta de psicólogos no Serviço Nacional de Saúde, o setor privado afirma-se como a única alternativa para milhões de portugueses que pretendem ter acesso a consultas de saúde psicológica", criticam os bloquistas, realçando que essa situação "exclui centenas de milhares de cidadãos e cidadãs, que enfrentando o aumento do custo de vida, a crise de habitação e os baixos salários portugueses não conseguem pagar as consultas ou são forçados a escolher onde cortar para conseguir ter acesso a cuidados de saúde psicológica".
Por isso, dirigindo-se ao Ministério da Saúde, o BE pergunta que medidas estão a ser adotadas para dar resposta à situação.
Em concreto, solicita ao Governo que confirme se pode garantir o reforço de 300 psicólogos prometido e que percentagem desse reforço já está em funções.
Simultaneamente, pergunta ao Governo se reconhece "que o número de psicólogos contratados pelo SNS é insuficiente para responder à procura de cuidados de saúde psicológica".
O Serviço Nacional de Saúde conta atualmente com 1.200 psicólogos, 500 dos quais estão colocados nos cuidados de saúde primários, outros 500 em hospitais e os restantes noutros projetos do setor público.
O BE recorda, citando dados da Universidade de Coimbra, que Portugal é o segundo país com a taxa de prevalência de doenças psiquiátricas mais elevada da Europa e o primeiro no índice da Small Business Prices que avalia o risco de 'burnout' (exaustão) nos países da União Europeia.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses estima que mais de 2,3 milhões de portugueses necessitam de apoio psicológico e que um em cada cinco sofra problemas de saúde psicológica.








