Para Além da Inclusão. Será Este o Novo Normal?
Permaneceu, no entanto, uma questão que continua a desafiar-nos e que merece uma reflexão mais profunda. Estaremos ainda a falar de inclusão ou estaremos já a aproximar-nos de uma nova etapa da nossa evolução social?
Ao longo das últimas décadas, a sociedade percorreu um caminho significativo no combate à exclusão e na afirmação da inclusão como um compromisso ético, social e político. Este percurso constitui uma das mais relevantes conquistas civilizacionais do nosso tempo, permitindo afirmar a dignidade, promover os direitos e fortalecer a participação plena das pessoas com deficiência em todos os domínios da vida em comunidade.
As conquistas alcançadas convidam-nos agora a olhar mais longe e a imaginar uma sociedade onde a inclusão deixe de ser uma meta e passe a ser uma realidade plenamente vivida por todos.
Quando falamos de turismo inclusivo, de escolas inclusivas, de emprego inclusivo ou de comunidades inclusivas, continuamos a utilizar uma linguagem que sugere a existência de alguém que precisa de ser incluído. A inclusão continua a ser um valor essencial e uma conquista que importa preservar e aprofundar. Talvez devamos começar a pensar no próximo passo, isto é, construir comunidades onde a pertença seja natural e onde todas as pessoas contem desde o primeiro momento.
Foi precisamente neste ponto que surgiu a necessidade de refletirmos. Ao fim de tantos anos a falar de inclusão, será legítimo sonhar mais longe? Será possível construir uma sociedade onde o valor de cada pessoa, a participação e o sentido de pertença sejam tão naturais que a própria palavra inclusão se torne desnecessária? Talvez o verdadeiro progresso aconteça nesse dia. Não quando conseguirmos incluir melhor, mas quando deixarmos de criar barreiras que obriguem alguém a pedir um lugar que sempre lhe pertenceu.
Durante muito tempo, a acessibilidade foi vista como uma resposta dirigida apenas a algumas pessoas. Hoje compreendemos que constitui um benefício para todos. Seja no espaço público, na educação, no emprego, na cultura, no desporto ou na vida comunitária, quando criamos ambientes, serviços e formas de comunicação pensados para a diversidade humana, estamos a construir comunidades mais abertas, mais solidárias e mais funcionais.
Os avanços alcançados merecem ser reconhecidos, mas não podem fazer-nos esquecer que subsistem obstáculos que impedem muitas pessoas de exercer plenamente a sua cidadania. Persistem barreiras físicas, comunicacionais, tecnológicas e culturais que continuam a limitar a participação plena de muitos cidadãos.
Cabe-nos prosseguir o esforço para remover essas barreiras, reforçando o trabalho colaborativo e promovendo comunidades inclusivas e acessíveis, onde todos tenham lugar e oportunidade de participar plenamente, sem serem definidos pelas suas limitações, género, raça, origem ou qualquer outra condição.
Reconhecida como uma das melhores cidades para viver em Portugal, Viseu tem sabido afirmar-se como um território cada vez mais inclusivo, acessível e aberto à participação cívica. O desafio é continuar este caminho, reconhecendo a diversidade como um fator de coesão, desenvolvimento e bem-estar coletivo.
Se “o sonho comanda a vida”, como nos ensinou António Gedeão, então é tempo de ousarmos sonhar ainda mais longe, com uma sociedade onde todas as pessoas contam. #TodasAsPessoasContam






