
Espanha adotará "medidas proporcionais" se Itália mantiver controlos na fronteira
"Instamos o Governo de Itália a corrigir a situação, a pôr fim aos controlos e a tratar os espanhóis como os restantes cidadãos europeus. Caso não o faça até ao final do domingo, 09 de agosto, Espanha ver-se-á obrigada a adotar medidas proporcionais para proteger os interesses e a dignidade dos seus cidadãos", disse o executivo de Madrid, num comunicado.
Itália reintroduziu controlos fronteiriços em portos e aeroportos para passageiros oriundos de Espanha em 01 de agosto, depois da entrada de 72.000 pessoas em 24 horas em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África.
O Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, sublinhou hoje que a decisão de Itália não tem precedentes “na história recente" e foi adotada "sem aviso prévio, de forma unilateral, e com argumentos espúrios que não se ajustam nem ao Código de Fronteiras Schengen nem à verdade".
Espanha destacou que nenhum dos migrantes que acedeu de forma irregular a Ceuta"na semana passada "pôde ou pode entrar livremente no espaço Schengen" e que "a quase totalidade" já regressou a Marrocos.
Por outro lado, lembrou que Itália é o estado-membro da União Europeia com mais entradas irregulares nos últimos anos, "com números que chegaram a duplicar os de Espanha", e que "Espanha nunca introduzir controlos para Itália".
"Na verdade, sempre demonstrou solidariedade para com a Itália, acolhendo parte dos migrantes que chegaram a Lampedusa em 2023 e abrindo repetidamente os seus portos aos migrantes que são resgatados na rota do Mediterrâneo central", acrescentou o Governo espanhol, no mesmo comunicado dirigido ao executivo da primeira-ministra Giorgia Meloni, cujo partido, Irmãos de Itália, junta figuras da direita radical e conservadora.
A medida adotada por Itália é, assim, "contrária aos interesses da União Europeia, e discriminatória para a população espanhol", lê-se no comunicado do Governo de Espanha.
O executivo espanhol acrescentou que espera "que o europeísmo, o senso comum e a boa fé se imponham" neste caso.
"Os governos existem para promover o entendimento entre os países e o interesse geral das suas populações, e não para criar divisões e conflitos infrutíferos motivados por interesses eleitorais internos", defendeu o Governo de Madrid.









