
Federação critica planeamento dos exames nacionais e defende auditoria
O processo dos exames nacionais registou falhas que, segundo o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), Pedro Barreiros, "correu mal, foi mal pensado e planificado".
Segundo o mesmo, a responsabilidade não recai apenas sobre o ministro da Educação, afirmando outros responsáveis técnicos envolvidos.
Durante uma conferência de imprensa no Porto, Pedro Barreiros declarou: "Se há uma responsabilização política do ministro da Educação também tem que haver outros responsáveis, nomeadamente técnica, uma responsabilidade técnica, de quem construiu este modelo".
O secretário-geral da FNE frisou ainda que, apesar de não terem nada contra pessoas em concreto, "se existe um Júri Nacional de Exames, se existe um EduQA eles só fazem sentido para cumprir um determinado papel e se não o cumprem adequadamente então também importa reestruturar e alterar".
Apresentando os resultados da consulta nacional sobre a carreira docente, promovida pela FNE e pela Associação para a Formação e Investigação em Educação e Trabalho (AFIET), Pedro Barreiros considerou que o ministro da Educação tem assumido as responsabilidades, mas que existem outros atores no processo.
"Importa também que ele não as assuma por inteiro porque há outros responsáveis ou, pelo menos, há outros atores no meio de todo este filme", afirmou.
O secretário-geral defendeu que houve irresponsabilidade, impreparação e comportamentos menos adequados por parte de toda a estrutura envolvida, não apenas do ministro da tutela. "É preciso mais informação para se perceber em concreto o envolvimento de cada um dos atores deste filme para perceber realmente qual foi a importância de cada um", insistiu.
Por isso, considerou que a realização de uma auditoria é fundamental para compreender tudo o que aconteceu.
Pedro Barreiros alertou que a queda do ministro da Educação seria um retrocesso, já que está em curso a negociação do Estatuto da Carreira Docente. "Seria um ano perdido porque teríamos que voltar ao ponto zero do início da negociação do Estatuto da Carreira Docente e nós vivemos duas décadas a lutar pela recuperação do tempo de serviço congelado", salientou.
O ministro da Educação reconheceu os problemas no processo de classificação dos exames nacionais, assegurando que nenhum aluno será prejudicado.
Apesar dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério manteve os calendários da primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior, que termina a 6 de agosto, bem como os da segunda fase dos exames.
Foi criada uma época especial de exames, entre 3 e 8 de setembro, o que levou ao adiamento da segunda fase do concurso para o período entre 24 de agosto e 20 de setembro.
Pela primeira vez, cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, processo que registou várias falhas técnicas.









