
Bombeiros Sapadores de Viseu fazem história no seu 199.º aniversário
Tatiana Mesquita é o nome da jovem que fez com que a Companhia de Bombeiros Sapadores de Viseu fizesse história no seu 199.º aniversário. Juntamente, com os restantes 12 recrutas participou na cerimónia que teve lugar na Praça da República, mais conhecida entre os viseenses como o ‘Rossio’, sendo a primeira mulher que irá iniciar um percurso de mais de mil horas formação.
“Num processo de seleção rigoroso, que começou com 48 candidatos, apresento-vos os 13 melhores. Entre os quais a nossa primeira bombeira”, sublinhou o comandante, Rui Nogueira, na sua intervenção.
Tatiana Mesquita entrou para os Bombeiros Voluntários de Viseu aos 15 anos, ainda como cadete, tendo saído este ano para os Bombeiros Sapadores de Viseu. “Decidi que este é o futuro que eu quero seguir”, explicou aos jornalistas, referindo que não é a adaptação que é difícil. “Difícil é ser a primeira. É uma responsabilidade muito grande, mas é uma honra poder servir a comunidade viseense e pertencer à Companhia de Bombeiros Sapadores de Viseu”, sublinhou.
“Eu quero que as outras mulheres saibam que isto também é uma profissão de mulheres. Não é uma profissão só de homens. Espero ser a primeira de muitas. As mulheres podem até ter menos força física, mas o que manda mais é a cabeça e não a força física”, garantiu.
Rui Nogueira destacou a garra da recruta, que já se tinha candidato em 2021, último ano em que se abriu o concurso para ingresso na companhia, tendo ficado de fora “por umas décimas”. “Não desistiu, foi fazer uns anos ao exército e voltou à casa e desta vez conseguiu”, sublinhou.
“Isto é também um desafio para nós, por ser a primeira mulher”, admitiu o comandante. “O quartel tem que ser adaptado. Não tínhamos camaratas femininas. Não tínhamos balneários. Estamos a fazer adaptações, para crescer em qualidade, porque era um défice que estávamos a sentir. A mulher tem um papel indispensável. Não interessa se é homem, se é mulher ou qual a orientação sexual. O que interessa é fazer bem”, assegurou Rui Nogueira.
“Exigência máxima”
No início da sua intervenção, o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, justificou a cerimónia no Rossio. “Os 199 anos que marcam a história dos Bombeiros Sapadores de Viseu obrigam a protocolo. É obrigatório termos protocolo, protocolo diário, ao minuto, em dois sentidos, no sentido dos operacionais e do comando, na pessoa do nosso grande comandante Rui Nogueira, mas também dos decisores políticos. E essa exigência é uma exigência máxima, máxima porque sem protocolo, sem ritual, sem disciplina, nós não fazemos com competência”, referiu.
“Podia ser feito só daqui a um ano, na data redonda, mas a partir de hoje será sempre feita desta maneira, de forma a fazermos aquilo que é a nossa obrigação, mostrar à população, aos viseenses, a nossa força, o nosso quadro operacional que está disponível para as pessoas e para os seus bens”, garantiu.
Relativamente às promoções, testemunhadas por todos os que quiserem fazer parte da cerimónia, João Azevedo lembrou que “nos últimos 25 anos só houve duas promoções”, no entanto, “os homens e as mulheres deste quadro têm que ter as condições perfeitas para que possam render o máximo”. Referindo que o orçamento de mais de quatro milhões de euros é para essas promoções e para equipar a companhia, por exemplo, com um novo veículo escada e um novo carro de combate de incêndios, num investimento de cerca de 1,8 milhões de euros.
“Temos que dotar a estrutura de meios para que poucas falhas possam existir. O cidadão não espera falhas de vós. Eu não espero falhas de vós. Os autarcas do concelho não esperam falhas de vós. Por isso, sintam isto como um peso de responsabilidade, para que possamos cumprir aquilo que temos feito e que vamos continuar a fazer”, referiu o edil.
Face aos investimentos feitos e previstos a curto e médio prazo, o presidente da autarquia viseense acredita que “daqui a poucos anos o concelho de Viseu e a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões terá condições para se apresentar, no plano nacional e internacional, como uma das melhores forças e mais bem preparadas para a defesa dos bens e das pessoas”.
Durante a cerimónia, o comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Viseu, Rui Nogueira, lembrou que é o sétimo corpo de bombeiros mais antigo de Portugal e que foi o primeiro a ser fundado no distrito de Viseu, sendo o único do tipo profissional.
“Garantimos a proteção e o socorro, e contribuímos para que a segurança seja um dos pilares da reconhecida qualidade de vida na nossa antíqua e nobilíssima cidade”
Destacou o trabalho realizado a partir dos dois quartéis. Um, mais a Norte, no aeródromo municipal, em local estratégico para a intervenção no Serviço de Salvamento e Luta Contra Incêndios em Aeronaves e mais próximo das freguesias onde existe o maior património florestal, além de servir também de instalações a outros serviços, da Proteção Civil, da GNR e do INEM. E outro, na Praça D. João I, que serve de centro nevrálgico para as operações de proteção e socorro no concelho de Viseu, albergando a parte mais significativa do efetivo e o Serviço Municipal de Proteção Civil.
“Não obstante a sua idade e almejarmos um novo edifício, com instalações a projetar o futuro, o Quartel Cidade continua a ser o edifício operacional que garante a proteção e socorro na zona do concelho com maior densidade populacional e onde se regista o maior número de ocorrências”, sublinhou Rui Nogueira, revelando que nos últimos anos o número de ocorrências tem vindo a aumentar, resultado também do aumento da população no concelho.
“Garantimos a proteção e o socorro, e contribuímos para que a segurança seja um dos pilares da reconhecida qualidade de vida na nossa antíqua e nobilíssima cidade”, garantiu o comandante.









