
Candidatos a secretário‑geral da ONU querem restaurar credibilidade da organização
Os seis candidatos ao cargo de secretário‑geral da ONU defenderam esta quinta‑feira, num debate formal na sala da Assembleia Geral, a necessidade de restaurar a credibilidade de uma organização em crise, a uma semana do início oficial do processo de seleção.
Sem favorito claro e com uma campanha pouco mobilizadora, a chilena Michelle Bachelet, a equatoriana María Fernanda Espinosa, o argentino Rafael Grossi, a costa‑riquenha Rebeca Grynspan, a guianense Carolyn Rodrigues‑Birkett e o senegalês Macky Sall responderam durante quase duas horas a perguntas de diplomatas, funcionários da ONU, representantes da sociedade civil e dois jornalistas da Bloomberg, que moderou e transmitiu o evento. Os candidatos nunca se interpelarem diretamente.
À questão inicial sobre o que os tornava a melhor escolha para o cargo, cada candidato destacou em dois minutos os pontos fortes das respetivas candidaturas para enfrentar uma época marcada por conflitos, evocando experiências nacionais e internacionais e a capacidade de dialogar com todos.
Todos concordaram no diagnóstico de uma ONU em crise financeira, amplamente criticada e necessitada de aprofundar a reforma iniciada por António Guterres, que deixará o cargo a 31 de dezembro de 2026.
Michelle Bachelet, ex‑presidente do Chile e antiga Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, destacou que não cederia à pressão de grandes países doadores e que afirmaria a sua autoridade moral, lembrando a sua longa experiência política e internacional.
A equatoriana María Fernanda Espinosa, que já presidiu à Assembleia Geral da ONU, insistiu na prevenção de conflitos como princípio operacional e prometeu presença no terreno, evocando a sua carreira diplomática e política.
Entretanto, o argentino Rafael Grossi, atual diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, defendeu que o secretário‑geral deve intervir quando qualquer Estado membro provoca uma guerra, sublinhando a sua experiência em negociações nucleares e de segurança internacional.
A costa‑riquenha Rebeca Grynspan, secretária‑geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, afirmou que quer ver a ONU de volta à mesa dos cenários de conflito, apoiando‑se na sua experiência em organismos multilaterais e na gestão de políticas económicas globais.
A guianense Carolyn Rodrigues‑Birkett, embaixadora junto da ONU e antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana, sublinhou que o secretário‑geral não tem o luxo de não agir e garantiu que seria a líder que tenta intervir em crises como as do Irão, Haiti, Sudão ou República Democrática do Congo.
O ex‑presidente do Senegal, Macky Sall, prometeu restaurar a confiança nos primeiros cem dias e tornar a ONU mais ágil e eficaz, apresentando‑se como "construtor de pontes", apoiado na sua experiência de liderança política e regional em África.
O primeiro voto indicativo do Conselho de Segurança terá lugar a 30 de julho, em sessão privada e anónima. Serão necessários nove votos sem veto dos cinco membros permanentes para que um candidato seja transmitido à Assembleia Geral, que fará a nomeação formal. O novo secretário‑geral assumirá funções em 01 de janeiro de 2027.
Richard Gowan, do International Crisis Group, considera que Grossi é frequentemente citado como favorito, mas não consolidou a corrida, enquanto Grynspan e Rodrigues‑Birkett têm também muitos apoiantes, e a surpresa poderá vir de um candidato ainda não declarado.
Circulam vários nomes, incluindo o do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que Donald Trump gostaria de ver à frente da ONU, segundo o New York Post.
Tradicionalmente, o cargo segue uma rotação geográfica e desta vez é reclamado pela América Latina, com muitos Estados a defenderem igualmente que seja ocupado por uma mulher pela primeira vez.









