Santa Ignorância
Acrescentando: “Exportou, dezenas de milhares de jovens e menos jovens, envelheceu rapidamente e viu a natalidade cair. Quando a economia voltou a crescer, eram necessários trabalhadores e não havia suficientes. Não foi uma opção ideológica. Foi uma necessidade.”
A ilustre senhora não se pergunta porque imigraram os jovens, ou o que acontece a uma economia quando se substituem jovens trabalhadores licenciados por imigrantes sem qualificações.
Pior, advoga fornecer mão de obra barata a empresas que apenas vivem disso, empresas que já temos em demasia, empresas que pagam baixos salários e contribuem para a baixa produtividade do País, ou seja, empresas que não têm qualquer futuro, seja no comércio, seja na agricultura. De facto, fecham cerca de 75.000 destas empresas por ano.
A ilustre senhora também não sabe que um bom empresário é aquele que procura produzir mais com os mesmos trabalhadores, através de melhor formação, de melhor organização e de mais capital para comprar e desenvolver o uso da tecnologia.
Mas se por qualquer razão precisar de mais trabalhadores é fácil, basta ir procurar onde eles existem em Portugal e pagar mais, por vezes procurando em sectores que pagam mal e que provavelmente vão desaparecer. Chama-se a isso a lei da oferta e da procura.
Demonstro o que escrevi com uma experiência concreta que vivi na Marinha Grande, aquando da explosão do número de empresas nascentes no sector dos moldes e onde naturalmente não havia trabalhadores suficientes.
O que fizeram os empresários? No caso dos trabalhadores especializados foram contratar nas empresas já existentes pagando-lhes melhor, mas usaram principalmente a formação de trabalhadores da indústria do vidro manual, sector em que as empresas foram pouco a pouco desaparecendo.
Outras, automatizaram a produção e sobreviveram. Melhor, o número de empresas do sector de moldes cresceu, resultando num notável crescimento das exportações, além da melhoria do nível de vida no concelho.
Infelizmente, na comunicação social dominam os escritos de base ideológica, como este que referi, os quais distorcem de forma grave a realidade económica do País, contribuindo para o nascimento de cada vez mais pequenas empresas de base comercial que sobrevivem com a mão de obra tanto de portugueses como de imigrantes, com baixos salários, os imigrantes amontoados em quartos ou a viver na rua.
Como é evidente são também empresas que não exportam, que concorrem cada vez mais em condições de mera sobrevivência e, como não têm recursos para investir se limitam a vender o factor trabalho a baixo custo. Infelizmente, é isto que a deputada europeia defende junto dos portugueses.
Há trinta anos apresentei uma moção ao XII congresso do PS, onde previ as migrações do Norte de África para a Europa, propondo a alternativa da criação de um fundo europeu para o desenvolvimento da saúde e da educação desses países africanos. A ideia baseava-se no princípio de que o desenvolvimento humano desses países reduziria a imigração e, em qualquer caso, os imigrantes teriam melhores qualificações. Que pena que o Partido Socialista me tenha deixado falar apenas dez minutos e ignorado o aviso
Termino com uma nota sobre a importância da capacidade de previsão na vida política, a fim de evitar dizer e fazer asneiras e tornar possível encontrar soluções que possam ter futuro.





