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Duarte Lima começa a ser julgado por homicídio esta quinta-feira

Além de Duarte Lima, o tribunal conta ouvir durante a tarde de quinta-feira uma testemunha e amiga próxima de Rosalina Ribeiro

Quase 17 anos depois da morte de Rosalina Ribeiro, começa na quinta-feira o julgamento do ex-deputado do PSD Duarte Lima, acusado do homicídio da mulher de 74 anos, com a audição do arguido e de uma testemunha.

O primeiro dia de julgamento, marcado para as 14:00 no Tribunal de Sintra, está reservado para a audição de Duarte Lima, que deverá optar pelo silêncio depois de se identificar perante o coletivo de juízes, segundo a informação a que a Lusa teve acesso.

Além de Duarte Lima, o tribunal conta ouvir durante a tarde de quinta-feira a testemunha Rosemary Espinola, amiga próxima de Rosalina Ribeiro e uma das primeiras pessoas a dar indicação do desaparecimento.

Apesar do início do julgamento, a defesa de Duarte Lima entende que o crime de homicídio já prescreveu e enviou ao tribunal na segunda-feira um requerimento em que explica que, segundo a legislação brasileira, o crime de homicídio prescreve ao fim de 20 anos, mas este período reduz para metade se o arguido tiver mais de 70 anos - Duarte Lima tem precisamente 70 anos.

Agora, segundo o requerimento avançado pelo jornal Público e consultado pela Lusa, o advogado de Duarte Lima quer que o tribunal considere a prescrição, sendo que o Ministério Público terá de se pronunciar sobre a questão.

"Segundo a lei brasileira, a punibilidade encontra-se extinta, pelo que deve ser declarado extinto, por prescrição, o presente procedimento criminal", indicou a defesa ao tribunal de Sintra.

Este caso começou em dezembro de 2009, quando Rosalina Ribeiro, viúva do milionário Tomé Feteira, foi assassinada com dois tiros, em Maricá, perto do Rio de Janeiro, no Brasil, e encontrada no dia seguinte em Saquarema, numa estrada de terra batida, a cerca de 100 quilómetros do Rio de Janeiro.

O motivo do crime, defende o Ministério Público, terá sido uma transferência de 5,2 milhões de euros feita por Rosalina Ribeiro para uma conta do antigo líder parlamentar do PSD.

Segundo a acusação, o advogado queria que a viúva de Tomé Feteira assinasse um documento que comprovasse que o dinheiro transferido era, afinal, de Duarte Lima, mas Rosalina Ribeiro terá negado tal pedido. Perante a recusa, o advogado terá matado Rosalina Ribeiro.

Duarte Lima defendeu, ao longo dos últimos anos, que os mais de cinco milhões de euros diziam respeito a honorários devidos por anos de serviços prestados a Rosalina Ribeiro, uma versão contrariada pela filha do empresário e milionário Tomé Feteira, que defendeu que o dinheiro foi desviado de contas que pertenciam ao pai e que chegou, aliás, a apresentar uma queixa contra Duarte Lima por abuso de confiança - crime de que foi absolvido em 2019.

O início do julgamento chegou a estar marcado para novembro de 2022, mas foi adiado várias vezes - primeiro por falta de notificação das testemunhas que estão no Brasil e depois pela falta das gravações.

A justiça portuguesa pediu várias vezes aos tribunais brasileiros o envio da documentação em falta, que são gravações, tendo chegado a fazer ainda este ano, via Procuradoria-Geral da República (PGR), um novo pedido, desta vez para que o processo fosse enviado em formato físico e não digital.

Novembro 4, 2026 . 16:31

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