
Residência artística deu a conhecer natureza de Vouzela através do som e imagem
E se o som da paisagem pudesse materializar-se numa imagem? Este foi o ponto de partida de “Nave Escutatória. Ficção”, uma residência artística produzida pela Binaural Nodar, que acolheu o artista visual Luciano Piccilli (Argentina), em Vouzela, entre os dias 21 setembro a 15 de outubro.
Durante esse período, Luciano Piccilli desafiou jovens estudantes da Profissional de Vouzela a participarem nas várias etapas do projeto comunitário, que, de forma simbólica, teve a sua base no viveiro municipal.
Numa primeira fase, foi feita a captura sonoplástica do rio Zela e da paisagem envolvente, bem como a recolha de materiais naturais, desde folhas, areia, pedras e bolotas, entre outros. Posteriormente, construiu-se o dispositivo que transforma o som, através das suas vibrações, em imagens, criando uma partitura visual do território. Os fotogramas ganharam forma com recurso a processos químicos e analógicos tradicionais, que os alunos puderam também experienciar.
O resultado final foi apresentado no passado dia 14, com a exposição das várias imagens criadas pelos estudantes. A iniciativa contou com a presença da Vereadora da Cultura, Inês Paiva; e o diretor pedagógico da EPV, José Lino Tavares, além dos estudantes, do professor João Batista e da comunidade local.
O coordenador da Binaural Nodar, Luís Costa, não pôde estar presente nesta fase final da residência, por se encontrar a caminho do Fórum Tramontana, na Albânia, mas fez um balanço da residência artística realçando o fato de aproximar “dois universos aparentemente distintos, a fotografia e o som, a partir de uma abordagem física e analógica, ou seja, não digital”.
“É uma proposta que ganha particular sentido junto de uma geração que cresceu rodeada de ecrãs, e que lhe oferece outra forma de olhar e de escutar”, notou.
Deixando uma palavra aos parceiros – Escola Profissional e Município de Vouzela –, o responsável enquadrou o projeto no percurso de duas décadas de atividade da Binaural Nodar na região e na preocupação em desenvolver iniciativas dirigidas à infância e à juventude.







