
Cinfães passa a monitorizar gado bovino com coleiras inteligentes
O gado bovino no concelho de Cinfães está a partir de hoje a ser controlado por georreferenciação, tanto na localização como no controlo da saúde e bem-estar, disse à agência Lusa um dos responsáveis pelo projeto.
«Para já, há cerca de 100 animais com esta coleira, mas o objetivo é o projeto chegar a todos os pastores, neste caso, de Cinfães, porque esta tecnologia é uma mais-valia muito grande para todos», defendeu Daniel Serralheiro, da Associação dos Baldios de Tràs-os-Montes e Douro.
A ideia nasceu da «necessidade de controlar o gado, neste caso o bovino, que circulava entre os diferentes baldios e espaços, sem que fosse possível perceber se podia andar naquele território ou não» o que já se «estava a tornar uma preocupação», disse.
Daniel Serralheiro adiantou que a «solução passa por o gado usar uma coleira, totalmente indolor, é como a do sino, que indica a localização do animal e, caso saia do território definido na aplicação, emite um sinal sonoro para que perceba que é uma zona em que não pode estar».
«Por isso é que os animais tiveram de ser treinados antes, para saberem que àquele sinal sonoro têm de recuar e é possível manter o gado nas parcelas de terreno destinadas ao pastoreio», esclareceu.
Estas coleiras, acrescentou Daniel Serralheiro, «emitem mais do que a localização do animal, também permitem saber o tempo que esteve a comer e com isso calcular a percentagem da carga combustível que reduziu naquela parcela» de terreno.
«E melhor ainda, conseguimos acompanhar a saúde e bem-estar do animal, como se está em processo de digestão e inclusive perceber se está prenha e de quanto tempo. Esta tecnologia dá-nos uma série de dados que são muito vantajosos para os pastores, tudo isto em tempo real», realçou.
O projeto foi hoje apresentado junto à capela de São Pedro do Campo, em Tendais, concelho de Cinfães, distrito de Viseu.
Para o presidente da Câmara Municipal de Cinfães, Carlos Cardoso, este projeto «é de elevada importância, por diversas razões», para este concelho que se situa na serra do Montemuro.
«Valorizamos a atividade da pastorícia, atraímos novos e jovens pastores para esta atividade que agora recorre a novas tecnologias e ajuda em muito no controlo dos animais e ainda a vantagem de limpar o combustível dos terrenos, ajudando na eliminação dos fogos florestais», enumerou o presidente.
Carlos Cardoso realçou ainda que este projeto «não acarreta um investimento significativo», uma vez que a autarquia já tem um protocolo com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e, por isso, «é só fazer uns ajustes» ao documento.
Segundo Daniel Serralheiro, o concelho de Cinfães ficará «totalmente coberto com 16 antenas» que permitem fazer a ligação por ‘wi-fi' às coleiras e «o ideal era haver mais Municípios a aderirem a um projeto como este».
A aquisição e manutenção das antenas «fica na responsabilidade da Câmara Municipal de Cinfães e da Associação dos Baldios de Trás-os-Montes e Alto Douro» e esse é o «contributo que dão aos pastores» do concelho.







