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Santiago, 12 anos, apela no Parlamento por cuidados intensivos pediátricos no IPO do Porto

Venceu uma leucemia de Berkitt, o jovem defende unidade especializada após experiência crítica em hospital sem recursos adequados

Santiago Silva, de 12 anos, interveio na Assembleia da República para defender a criação de uma Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos no IPO do Porto, após ter superado uma leucemia de Berkitt e impulsionado uma petição pública com mais de 27 mil assinaturas.

O jovem esteve acompanhado pelo pai, Nuno Silva, e pela irmã, Maria Clara, durante a audição na Comissão de Saúde. "Quero agradecer por me terem deixado estar aqui hoje e, principalmente, por me deixarem falar. Para mim, estar na Assembleia da República é uma coisa muito importante. Não pensei que algum dia viesse aqui por uma razão destas. E também nunca pensei que uma ideia que começou numa conversa com o meu pai pudesse chegar tão longe", afirmou Santiago.

No seu testemunho, relatou a experiência que viveu ao enfrentar um tamponamento cardíaco durante o tratamento da doença, situação que obrigou à transferência para o Hospital de São João, onde percebeu que o IPO do Porto não dispunha dos meios necessários para tratar crianças em situações idênticas.

"Fiquei em coma durante dois dias. Por isso, dessa parte da minha história eu não me lembro. Mas os meus pais lembram-se. Durante várias horas, o meu pai e a minha mãe não sabiam exatamente o que estava a acontecer comigo. Sabiam apenas que alguma coisa muito grave tinha acontecido. E ficaram à espera. À espera de notícias. À espera que alguém lhes dissesse como eu estava. À espera sem saber se tudo ia ficar bem", partilhou o jovem.

Este episódio levou Santiago a reflectir sobre a vulnerabilidade das crianças com doenças graves: "Depois, quando tudo começou a estabilizar e consegui perceber melhor aquilo que tinha acontecido, fiquei a pensar muitas vezes nisso. Pensei que eu tive ajuda. Pensei nos profissionais que estiveram comigo e fizeram tudo o que podiam. Pensei na minha família. E pensei que tive sorte. Mas apareceu uma pergunta na minha cabeça que nunca mais desapareceu. E se acontecer a outra criança? E se estiver muito doente? E se naquele momento não houver uma vaga? E se tiver de ir para longe?"

Com estas preocupações, Santiago lançou a petição pública, com impacto mediático, com o objectivo de alertar para as dificuldades enfrentadas por crianças em situação crítica.

"Eu tenho 12 anos. Não sou médico. Não sou especialista em hospitais. E não quero vir à Assembleia da República explicar aos médicos como devem organizar os Cuidados Intensivos Pediátricos. Essa não é a minha função. Quando uma criança está muito doente, ela não pode ficar dependente da sorte. Não pode depender de naquele momento existir ou não uma vaga. Não pode depender de ser segunda-feira ou domingo. Não pode depender de estar no Porto, em Lisboa ou noutra cidade", concluiu Santiago Silva.

Outubro 22, 2026 . 21:30

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