
Zelensky desconhece trégua anunciada por Trump mas está pronto a aceitá-la
"O anúncio deste cessar-fogo foi uma novidade para mim. Mas, se os russos concordarem com um cessar-fogo energético, a Ucrânia concordará", declarou o líder ucraniano, segundo o jornalista Barak Ravid, do portal norte-americano, que publicou estas declarações na rede X.
Donald Trump anunciou hoje que a Rússia e a Ucrânia concordaram com um cessar-fogo para os ataques contra infraestruturas energéticas dos dois países, embora não tenha fornecido qualquer detalhe.
"A partir de agora, há um cessar-fogo energético [escrito em maiúsculas] na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ambos os lados concordaram. Não o quebrem!", escreveu o líder da Casa Branca na sua rede Truth Social.
Segundo o Axios, Zelensky reforçou que, se Trump negociou esta trégua com o Presidente russo, Vladimir Putin, então que o avisem.
“Digam-nos quando é que este cessar-fogo entrará em vigor: estamos prontos e aceitá-lo-emos", declarou.
Ainda não é conhecida a reação de Moscovo ao anúncio de Trump, depois de, no sábado, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ter afirmado que Vladimir Putin “acolheu com compreensão” propostas não especificadas do homólogo norte-americano sobre a Ucrânia, durante uma chamada dos dois líderes.
No mesmo dia, o Presidente norte-americano voltou a dirigir acusações a Zelensky e defendeu que chegou a altura de a Ucrânia ter um novo Presidente, num novo episódio de tensão entre ambos desde o explosivo encontro na Sala Oval, em fevereiro de 2025.
O líder da Casa Branca sugeriu que Zelensky não fez o suficiente para acabar com a guerra e contribuiu para os elevados preços dos combustíveis nos Estados Unidos, devido aos ataques ucranianos contra refinarias russas.
Em resposta, o Presidente ucraniano disse que o seu país poderia realizar eleições se a Rússia concordasse com um cessar-fogo de 60 dias.
“Deem-nos dois meses, 60 dias de folga. Cessar-fogo total, 60 dias, e organizaremos eleições”, declarou, observando que a Ucrânia estaria pronta para aceitar qualquer escolha feita pelo seu povo.
“Com todo o respeito pelo Presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder”, prosseguiu o líder ucraniano, adicionando que a realização de uma votação durante a guerra seria ilegal e apenas possível com garantias de segurança para que os cidadãos pudessem votar.
A Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão em grande escala da Rússia, em fevereiro de 2022, e a Constituição proíbe eleições enquanto esta estiver em vigor, além de se colocarem questões relacionadas com os territórios ocupados pela Rússia, a mobilização de centenas de milhares de soldados nas frentes de combate e a existência de milhões de ucranianos refugiados no estrangeiro ou deslocados no seu país.
Antes do anúncio do cessar-fogo, a administração norte-americana autorizou temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.
O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) mantém, no entanto, restrições aos pagamentos através de contas de três instituições financeiras estatais russas.
A medida foi justificada por Donald Trump como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro, e que ameaça o desempenho dos republicanos nas eleições intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, no início de novembro.
Em reação, Zelensky considerou que a Rússia "expressou a sua gratidão" a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país e referiu-se a uma decisão “imprópria de um aliado”.
Os esforços diplomáticos sob mediação de Washington para pôr fim a mais de quatro anos de ofensiva russa na Ucrânia encontram-se atualmente num impasse.
Nos últimos meses, a Rússia e a Ucrânia intensificaram uma guerra aérea de longo alcance, enquanto os seus exércitos permanecem sem avanços significativos nas várias linhas da frente.
A visita em setembro dos emissários norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e posteriormente, de modo inédito, a Kiev não resultou em qualquer anúncio concreto.
Uma delegação ucraniana esteve em Miami no sábado para conversações, mas regressou a Kiev sem que nenhum avanço tivesse sido divulgado.







