
FINTA celebra teatro e amizade para manter viva uma chama com 50 anos
A 32.ª edição do FINTA - Festival Internacional de Teatro ACERT, que decorrerá entre os dias 12 e 14 e 19 a 21 de novembro, contará com 17 espetáculos, dos quais cinco são estreias, e ainda seis aperitivos teatrais, uma exposição, uma conversa e o lançamento de três edições. Entre as estreias, três são criações preparadas especificamente para assinalar os 50 anos do Trigo Limpo Teatro ACERT.
Pompeu José, diretor artístico da ACERT, sublinhou que a edição decorrerá “num ambiente de celebração e de reencontros de uma série de amizades e cumplicidades entre grupos, companhias, coletivos e criadores nas várias áreas artísticas”. No seu entender, a edição deste ano constituirá “uma representação dos amigos que fomos fazendo ao longo dos anos”, tendo como marca e símbolo “a celebração dos 50 anos de vida”.
Sandra Santos, responsável pela programação, acrescentou que o FINTA “continua a ser um festival para todos, com uma oferta cultural diversificada, onde o teatro se cruza com a música, a poesia, a manipulação de objetos, o novo circo e o clown”. Acrescentou que “o teatro faz-se de partilha, de sonhos, questionamentos, paixões e resistência, e estas são algumas das razões que mantêm viva a chama do Trigo Limpo e que alimentam a edição deste ano”.
O 32.º FINTA terá início com a estreia de um espetáculo do Trigo Limpo Teatro ACERT, “algo que já não fazíamos há algum tempo”, sublinhou Pompeu José. Trata-se de uma segunda viagem do projeto intitulado “Car 12”.
“O Car 12 já fez a grande viagem, circulou por todo o país, e agora propusemos fazer uma segunda viagem, a que chamamos “Car 12, À Bolina!”, com o Miguel Cardoso e o André Cardoso, uma dupla que tem um percurso dentro desta casa, não só com espetáculos mas também com todas as participações criativas e até organizativas que têm feito connosco”, enfatizou.
Dentro da programação, cabem espetáculos de 15 companhias vindas de cinco países diferentes: Portugal, Espanha, França, Bélgica e Moçambique. Sandra Santos explicou que a aposta passar “por uma programação com propostas de criadores e estruturas já conhecidas, mas que abre portas também a novos criadores e projetos artísticos e que é pensada para um público heterogéneo, mas com propostas dedicadas também a públicos específicos, como escolas, famílias e população sénior”.
As cinco estreias são o já referido “Car 12, À Bolina!”, no dia 12, às 21h30; “Cassandra”, da jovem criadora tondelense Rafaela Miranda, da rubrica Santos da Casa Teatro, também no dia 12, às 23h00; “Parabéns ACERT”, do artista belga Bernard Massuir, no dia 14, às 23h00; “Ultranoite Galega”, da companhia espanhola Chévere, no dia 21, às 23h00; e “Onde Nascem as Asas”, do Grupo Tribal, nos dias 12 e 14, às 21h00.
FINTA promove reencontros
Com a palavra “reencontros” a servir de pano de fundo, o 32.º FINTA estendará a carpete vermelha aos regressos a Tondela de companhias como o Teatro Meridional, o Teatro O Bando, o Teatro das Beiras, mas também a companhia La Rous, de Espanha, Grupo de Teatro M’bêu Macarte, de Moçambique, e a companhia de Novo Circo O Último Momento, de França. Mas também haverá lugar a estreias, como são os casos das companhias francesas Radio Cirque e Facile d’Excès, sendo que esta última fará mesmo a estreia no nosso país.
Entre os espetáculos elencados, destaque para “Vacio”, da companhia espanhola La Rous, no dia 13, 21h30; “Poetas em Diálogo com Camões”, do Teatro Meridional (dia 13, 23h00); “GOA - Contos em Viagem”, também do Teatro Meridional (dia 14, 21h30); “As Substitutas”, do grupo moçambicano M’Bêu (dia 19, 21h30); “Carré comme un Ballon”, da companhia francesa Radio Cirque (dia 19, 23h00); “Afonso Henriques”, do Teatro O Bando (dia 20, 21h30); “Gros Débit”, da companhia francesa Facile D’Excés (dia 20, 23h00); “PA(i)YSAGE(n)S”, da companhia O Último Momento (dia 21, 21h30); e “Maria d’Alegria”, de 19 a 21, às 21h00, aperitivos teatrais em que o improviso dá origem a novas criações a cada dia.
Haverá ainda propostas teatrais para famílias e para bebés, com os espetáculos “Um Conto Japonês”, do Teatro das Beiras, e “met-AMOR-phose”, da autoria de Maria de Vasconcelos.
O certame dará continuidade à sua forte ligação com a comunidade, com o FINTA Fora de Portas a levar dois espetáculos em digressão por lares, centros de saúde, escolas e jardins de infância do concelho, num conjunto de sete apresentações.
Para o dia 21, está agendada a formação “Clown Social - Ferramentar para meter o nariz nas causas em que chamam e mudar o mundo”, orientada por Maria Simões, destinada a maiores de 16 anos. A formação explora o humor, a expressão dramática e a escuta como formas de criar vínculos, em especial junto da população sénior ou em contexto de trabalho social.
No mesmo dia, o Bar ACERT acolhe o lançamento do livro-disco “Fran Peréz, NARF - Canto Sentido”, que reúne memórias, documentos, músicas e testemunhos sobre um criador e músico galego que aproximou diferentes culturas e linguagens artísticas.
Os bilhetes estão disponíveis em acert.bol.pt e na bilheteira da ACERT e está disponível um passe geral para os seis dias de espetáculos. O passe geral tem o valor de 25 euros e o bilhete diário 7,50 euros. Estão previstos os preços com o valor habitual (5 euros) para sócios, e desconto para jovens, estudantes, desempregados e reformados, e bilhete de famílias nos espetáculos para a infância. A programação inclui, ainda, espetáculos de entrada gratuita, para que seja também um festival acessível a todos.
“É uma felicidade chegar aos 50 anos de instituição sem estar institucionalizados e com a mesma vontade de nos desafiarmos, a nós e aos outros”
Pompeu José foi desafiado pelo Diário de Viseu a fazer um balanço dos 50 anos do Trigo Limpo Teatro ACERT.
“A coisa que mais nos deslumbra é que ao fim de 50 anos tem sido possível manter a energia, a vontade, a criatividade e a integração na comunidade. É uma marca, não só no e para o território, mas que leva o território para fora. Esse é o desafio que temos de continuar. Os 50 anos são um lastro de memória, mas queremos que as coisas sejam presente e abram portas para o futuro. Costumo dizer que se hoje acabasse, eu acabava feliz. Sei que há coisas para construir, mas não é isso o importante, o importante é o agora, com este lastro de memória de grande valor, de tudo aquilo que foi construído, por impulso de muita gente. Portanto, é uma felicidade chegar aos 50 anos de uma instituição, digamos assim, sem estar institucionalizado. Continuamos com a mesma vontade de nos desafiarmos e desafiarmos os outros a percorrer o caminho e a continuar na estrada. A atitude é de estarmos em pé e com vontade de continuar”, concluiu o diretor artístico do Trigo Limpo Teatro ACERT.







