
Andrés Carrascosa pede aos sacerdotes, em Viseu, que rejeitem o individualismo
O Núncio Apostólico em Portugal, Andrés Carrascosa Coso, reuniu-se, no Seminário de Viseu, com o bispo de Viseu, António Luciano, com os sacerdotes e diáconos, num encontro marcado pelo apelo à comunhão, à corresponsabilidade, à sinodalidade e à missão.
O representante do Papa desafiou os sacerdotes a rejeitar o individualismo e colocar o ministério ao serviço dos outros. “O sacerdócio não é para nós, é para os outros”, sublinhou, recordando que a missão sacerdotal só pode ser vivida plenamente numa lógica de entrega, comunhão, serviço e obediência.
Andrés Carrascosa alertou para o risco de cada um viver fechado na sua própria realidade e apelou a uma maior disponibilidade para caminhar em conjunto, partilhar responsabilidades e construir comunidades verdadeiramente fraternas.
Os leigos voltaram a estar em destaque no seu discurso, recordando que o sacerdote deve delegar competências, de forma a estar mais disponível para acompanhar o seu rebanho.
Ao citar o Papa Francisco, afirmou que “a sinodalidade veio para ficar”. Para ele, este caminho implica uma mudança de mentalidade e uma Igreja onde todos são chamados a participar e a assumir a sua responsabilidade na missão, recordando que todos os ministros são servidores, que “o Evangelho tem de ser encarnado na vida” e que o “sacerdócio é um dom”.
“A Igreja cresce por atração” foi outra das ideias deixadas aos sacerdotes, num apelo a que o testemunho de vida das comunidades cristãs seja capaz de despertar nos outros o desejo de conhecer e seguir Jesus Cristo. Mais do que uma Igreja centrada em si mesma, Andrés Carrascosa apontou para comunidades que, pela forma como vivem a fé, acolhem, servem e testemunham o Evangelho, sejam capazes de atrair.
A formação foi igualmente um dos temas abordados no encontro. O Núncio recordou que a formação não termina com a saída do seminário, mas deve acompanhar toda a vida sacerdotal. O crescimento espiritual, humano e pastoral deve ser entendido como um processo permanente, necessário para responder aos desafios da missão e servir melhor o povo de Deus.
O encontro com o clero terminou com um almoço-convívio, proporcionando um momento de fraternidade e partilha entre o Núncio Apostólico, os sacerdotes e os diáconos.
Núncio desafia consagrados a dar testemunho às novas gerações
Da parte da tarde, Andrés Carrascosa Coso esteve reunido, no Seminário das Missões, com os consagrados, onde abordou alguns dos pontos já refletidos com o clero, tendo ainda desafiado os presentes a centrarem o seu testemunho cristão numa lógica de entrega, humildade e coerência, contrapondo-o ao êxito pessoal.
Ao falar do Hino Cristológico da Carta de São Paulo aos Filipenses, o Núncio disse que esta é uma referência fundamental, em que apresenta Cristo como aquele que escolhe o caminho da humildade e do despojamento, tornando-se modelo para a vida cristã.
A reflexão estendeu-se também à questão vocacional, particularmente ao desafio de apresentar a vida consagrada às novas gerações. “Como mostrar a vocação aos jovens de forma atraente?”, questionou, colocando a autenticidade do testemunho como um dos elementos centrais para despertar novas vocações.
Na intervenção, retomou ainda uma ideia já deixada durante a manhã: a Igreja cresce “por atração e não por proselitismo”.







