
Investimento na infância pode reduzir pobreza
O alerta consta de um relatório da organização com sede em Paris, hoje publicado, e que conclui que as crianças que crescem na pobreza ou em condições socioeconómicas desfavoráveis têm maior probabilidade de apresentar uma saúde mais frágil, um menor desempenho escolar e menos oportunidades de emprego, o que, a longo prazo, se traduz em menor produtividade, menor receita fiscal e maiores custos para os governos.
A OCDE adianta que as despesas sociais nos países-membros que a integram aumentaram, em duas décadas, de cerca de 20% do PIB para 25%, impulsionadas principalmente pelos gastos com a saúde e a segurança social.
Apesar disso, os programas destinados a famílias com crianças ainda representam menos de 10% do total das despesas sociais, salienta o relatório, ao avançar que, em 2023, 12,5% das crianças dos países da OCDE viviam em situação de pobreza.
De acordo com a organização, cerca de uma em cada sete crianças nos países europeus da OCDE sofria de privação material e social grave em 2024, mesmo que, em muitos casos, se integrassem em famílias com rendimentos acima do limiar da pobreza.
A situação reflete-se também na educação e na saúde, uma vez que a proporção de jovens de 15 anos com competências insuficientes nos testes PISA aumentou de 31% em 2009 para 43% em 2025, enquanto mais de um em cada cinco adolescentes considera a sua saúde regular ou fraca, alerta o relatório “Investir melhor nas crianças através de políticas sociais”.
O simples aumento dos gastos nestas áreas não é suficiente, alerta também a OCDE, que chama a atenção que os resultados melhores só são alcançados através de uma combinação de apoios ao rendimento, medidas para promover o emprego dos pais e serviços públicos acessíveis, como as creches.
A educação e os cuidados na primeira infância destacam-se entre os investimentos de maior impacto, de acordo com o estudo, uma vez que o aumento do investimento e da participação das crianças dos três aos cinco anos nestes serviços está associado à redução da pobreza infantil, a melhores resultados educativos e a uma melhor saúde na vida adulta.
De acordo com as estimativas da OCDE, o aumento da proporção de despesas sociais alocadas a estes serviços, aliado a uma maior participação, poderá aumentar o seu impacto na redução da pobreza infantil relativa em cerca de 50% ao longo de dez anos.
A organização estima ainda que o aumento do investimento e da participação nestes serviços poderá reduzir a proporção de alunos com baixo desempenho no PISA em 4% e aumentar a proporção de alunos com alto desempenho em 3%, em comparação com os níveis de 2025.







