
Vouzela cria Observatório da Longevidade para monitorizar envelhecimento
O concelho de Vouzela vai dispor de um Observatório da Longevidade dedicado a gerar informação rigorosa e atualizada, identificando tendências emergentes para apoiar decisões públicas, privadas e comunitárias.
Este projeto resulta de um protocolo celebrado entre a Universidade Politécnica de Viseu (UPV) e a Câmara Municipal de Vouzela, no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social 5G.
A pró-reitora da UPV para a Longevidade, Lia Araújo, explicou que o objetivo é consolidar "um sistema territorial integrado de produção, análise, monitorização e interpretação de conhecimento sobre longevidade" no município de Vouzela.
"É um projeto que ainda está muito em aberto, no sentido em que queremos mesmo contar com a participação de todos, para que efetivamente se consiga criar algo inovador na região, que possa ser replicado noutras zonas do país", salientou.
Lia Araújo referiu que a população portuguesa está a envelhecer, ambiente em que 24% dos portugueses têm 65 ou mais anos, percentual superior à média europeia, que deverá subir para 33% em 2050.
"Se pensam que já vivemos num país envelhecido, preparem-se, porque, de facto, o país vai envelhecer ainda muito mais", alertou, destacando que as vidas se prolongam, como exemplifica o caso de Maria da Conceição, a pessoa mais velha de Portugal, que faleceu com 113 anos.
Em 2024, existiam em Portugal 3.282 centenários, incluindo residentes no concelho de Vouzela, mas "este prolongamento da vida humana não está a ser vivido para todas as pessoas com o equivalente em termos de qualidade de vida, bem-estar, de saúde e de capacidade", lamentou.
No contexto da diversidade regional, sublinhou que projetos como o Observatório da Longevidade são essenciais.
"As agendas nacionais e internacionais têm estado cada vez mais direcionadas para esta temática", acrescentou.
A UPV foi convidada pela Câmara Municipal de Vouzela a colaborar no projeto, que pretende "promover um envelhecimento ativo, autónomo, saudável e socialmente participado", alinhado com as orientações para o desenvolvimento sustentável.
O observatório permitirá antecipar cenários demográficos, sociais e de cuidados e informar decisões a diferentes níveis.
Para Lia Araújo, "o envolvimento das pessoas mais velhas não será só como respondentes, mas também como coprodutoras de dados, interpretação e mudança local", um aspeto "fundamental nos novos paradigmas de ação".
O projeto inclui monitorização demográfica contínua, cartografia social do envelhecimento, relatórios anuais de tendências demográficas e um painel municipal de indicadores.
Além disso, será efetuado um inquérito às condições de vida no concelho, estudos sobre pobreza e exclusão entre séniores, e atenção especial dedicada à fragilidade e à saúde mental nesta faixa etária.
Está prevista também a participação através de laboratórios, oficinas comunitárias e voluntariado sénior, além do mapeamento dos recursos sociais públicos e privados existentes e o desenvolvimento da área da inovação e economia prateada.
O projeto contempla ainda atividades como conferências, seminários, boletins, formação e uma plataforma digital para garantir o acesso à informação por quem dela necessitar.







