
Curta portuguesa compete nos EUA e chega à Comic Con em campanha para os Óscares
“Somos elegíveis para a nomeação ao Óscar, que é sempre uma coisa muito difícil”, disse à Lusa o realizador, Tiago Pimentel. “Nós somos uma curta um bocadinho ‘outsider’ deste sistema, porque não temos orçamento", salientou, "e tudo o que é ‘award season’ tem muito orçamento por trás para conseguir promover o filme e fazer com que seja visto”.
Protagonizada por Sérgio Godinho, Paulo Calatré e Mariana Pacheco, a curta-metragem tem 21 minutos e estará em competição no Flickers’ Vortex Sci-Fi, Fantasy and Horror Film Festival, que arranca a 08 de outubro em Rhode Island. No dia seguinte, fará parte das escolhas no primeiro Indie Film Showcase da New York Comic Con, que decorre até 11 de outubro.
Depois, o desafio é conseguir que os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas assistam à 'curta' portuguesa, que luta por um lugar na ‘shortlist’ da qual sairão as nomeações para os Óscares. “Estamos a tentar trilhar um caminho um bocadinho diferente”, explicou o realizador, revelando que a produção vai ser exibida no Gardena Cinema em Los Angeles, a 15 de outubro.
Todo falado em português, o filme tem passado por vários festivais e já ganhou alguns prémios dentro e fora de Portugal, incluindo Melhor Curta-Metragem no festival Gen Con em Indianápolis, estado do Indiana.
“A curta tem uma linguagem que me parece mais alinhada com um certo cinema americano”, explicou Tiago Pimentel. “O filme tem uma certa nostalgia nele e depois tem uma ligação forte a uma tradição de filme de fantasia e apocalíptico que acontece, por exemplo, no cinema de Guillermo Del Toro”.
Um dos apoios de “Era Uma Vez no Apocalipse” em Los Angeles é do luso-canadiano Luís Sequeira, responsável pela direção de arte da curta e um nome reconhecido em Hollywood – foi nomeado para os Óscares duas vezes pelo guarda-roupa dos filmes “A Forma da Água” e “Beco das Almas Perdidas”.
“Nós queríamos, acima de tudo, que o filme fosse visto”, indicou Tiago Pimentel.
O realizador disse que começa a haver mudanças no cinema português que podem aproximá-lo da linguagem de Hollywood e abri-lo mais ao mundo, em vez de se fechar sobre si próprio e ficar satisfeito com o circuito tradicional de festivais na Europa.
“Não existia muita ambição para muito mais e espero que isso esteja a mudar”, afirmou. “Não faz sentido fazer filmes para prémios nem para festivais. Acho que faz sentido fazer filmes nos quais se acredita e que queremos comunicar ao público de alguma maneira, criar obras que sejam vistas e experienciadas”.
“Era Uma Vez no Apocalipse” parte de uma pergunta refletida no contraste no título: será que conseguimos continuar a acreditar em contos de fadas mesmo depois de o mundo acabar? “Quando estamos num momento em que não acreditamos em nada, eu acho que contar histórias pode de facto salvar vidas”, considerou o realizador. “É assim que os artistas têm conseguido chegar a tanta gente e aliviar o sofrimento à sua maneira”.
Aquilo que mais o cativou para filmar esta história foi tentar criar um filme que começa como uma coisa extremamente negra e opressiva e termina num conto de fadas. “Ou pelo menos num conto de fadas possível, porque evidentemente o final é um bocadinho agridoce, mas apercebemo-nos que é o possível dentro daquele universo”.
“Era Uma Vez no Apocalipse” é uma produção Jângal Studios, com argumento de António Miguel Pereira e Tiago Pimentel, contando também com a produção de Miguel Munhá e Ana Sofia Nunes.







