
Bairro de Gouveia vai ter espaço dedicado à identidade e à memória local
O projeto Casa do Território – Centro Interpretativo da Identidade e Memória será apresentado ao final da tarde de hoje aos moradores e as obras, orçadas em cerca de um milhão de euros, devem arrancar em outubro.
“O bairro ainda tem famílias e equipamentos de apoio a idosos e a crianças, mas, na sua vertente pública no espaço urbano, é um bairro que está degradado, fruto do abandono das últimas décadas. Já desde 2016 que o município começou a olhar para o bairro numa perspetiva de preservação de uma identidade”, explicou à agência Lusa o arqueólogo Joel Correia.
A ideia é a de que o Bairro do Castelo – que terá sido a origem da cidade - possa, “por um lado, servir a população, essencialmente idosa, que ainda lá vive, e, por outro, ser um lugar atraente e que se possam recuperar ruínas”.
Em 2022, foi inaugurada a Casa da Vivência Judaica, a partir da recuperação de três edifícios devolutos, e agora será requalificado mais um edifício para a Casa do Território - Centro Interpretativo da Identidade e Memória.
“Queremos que as pessoas tenham condições para poderem manter-se aqui a viver, mas, ao mesmo tempo, que o bairro seja uma espécie de quarteirão cultural”, que possa ser explorado também do ponto de vista turístico, frisou o arqueólogo.
Joel Correia avançou que Gouveia tem “uma coleção que praticamente nunca ninguém viu, peças arqueológicas que vão desde o final do Neolítico até à época industrial, ao século XIX”.
“Queremos usar estes recursos que temos guardados, porque não têm condições de serem expostos, e devolvê-los à comunidade. Vão não só ajudar-nos a contar a nossa história, para podermos projetar o nosso futuro sobre essa base cultural, mas também serão uma forma de diferenciarmos o nosso território em relação aos nossos vizinhos”.
A vereadora Daniela Oliveira disse à Lusa que a obra terá uma duração de ano e meio e que “faz parte de uma série de projetos que a Câmara identificou como prioritários e, por isso, foram colocados na ITI (Investimento Territorial Integrado) da Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela”, contando com um financiamento de 85%.
“O Bairro do Castelo tem uma população envelhecida e, por ser um bairro muito característico, com ruas muito apertadas, é fundamental que consigamos promover a sua regeneração, para que não se perca e não fique deserto”, justificou.
Segundo Daniela Oliveira, o objetivo é também “alimentar uma lógica turística, através da cultura”, que tem sido uma prioridade da autarquia, e criar “uma centralidade com outros equipamentos, como o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta ou a Casa Vergílio Ferreira”, que incentive os privados a continuarem a investir.
“Temos uma série de casas já reabilitadas, algumas para alojamento local, outras para habitação própria. A ideia é a de que os privados continuem a sentir interesse por aquele bairro que é muito característico”, sublinhou.







