
ADIFA exige medidas para minimizar aumentos dos combustíveis
Os distribuidores de medicamentos exigiram hoje medidas para minimizar o impacto do aumento dos combustíveis no setor, alertando que os preços atuais podem representar um encargo adicional de quatro milhões de euros por ano.
A manterem-se os preços atuais dos combustíveis, o impacto para os distribuidores farmacêuticos representará um “encargo de transporte adicional de quatro milhões de euros por ano”, estimou a ADIFA, ao salientar que em causa está um setor regulado, com preços e margens definidos, o que faz com que não seja possível repercutir o aumento de custos ao longo da cadeia.
“Como consequência, os distribuidores farmacêuticos absorvem integralmente os encargos adicionais, o que coloca pressão sobre a sustentabilidade económico-financeira destes operadores”, realçou a ADIFA em comunicado.
A associação adiantou ainda que, até ao momento, não se registarem ruturas no abastecimento, mas avisou que o agravamento da situação pode, a curto prazo, “comprometer a capacidade de entrega dos distribuidores farmacêuticos e, consequentemente, o normal funcionamento do circuito do medicamento”.
Segundo referiu, os mecanismos extraordinários de apoio adotados pelo Governo, “apesar de pertinentes, excluem a atividade de transporte de medicamentos”, sendo, por isso, necessária a “urgente a adoção de medidas adequadas que reconheçam o caráter essencial da atividade de distribuição farmacêutica”.
Na prática, os distribuidores pretendem que os veículos de transporte de medicamentos sejam abrangidos pelo Estatuto dos Benefícios Fiscais e pelo regime de reembolso parcial para o gasóleo profissional.
Defendem também que essas viaturas devem estar isentas do Imposto Único de Circulação (IUC), assim como a criação de um regime especial que preveja a redução ou isenção dos custos de portagens.
Segundo dados da ADIFA, que representa distribuidores que, no seu conjunto, são responsáveis por 94% da quota de mercado, as empresas do setor percorrem anualmente 47 milhões de quilómetros para entregar 335 milhões de unidades de medicamentos às farmácias de todo o país.
O setor da distribuição farmacêutica de serviço completo geral, de acordo com a associação, gera um impacto económico anual direto e indireto de 302 milhões de euros, empregando mais de dois mil trabalhadores e operando 26 plataformas logísticas em todo o território nacional.
Os distribuidores farmacêuticos de serviço completo asseguram o processamento de toda a cadeia de fornecimento dos medicamentos, desde a encomenda e a aquisição junto da indústria farmacêutica, passando pela receção e armazenamento até ao transporte até às farmácias comunitárias.
Os preços dos combustíveis continuam a ser impactados pela guerra no Irão, a tensão geopolítica no Médio Oriente e o consequente fecho do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo e gás natural, bem como pelos ataques a refinarias no contexto da guerra na Ucrânia.
O preço por litro de gasóleo deverá descer seis cêntimos na próxima semana e o da gasolina dois cêntimos, de acordo com as estimativas hoje divulgadas pelo Automóvel Club de Portugal (ACP).







