
Presidente da República alerta para desigualdades e defende valorização dos professores
O Presidente da República, António José Seguro, afirmou que há "muito caminho a recuperar" na educação em Portugal, referindo-se aos resultados do PISA e aos desafios causados pelas desigualdades socioeconómicas.
Estas declarações foram proferidas durante a inauguração da nova Escola Secundária de Cascais, na presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.
"O sistema educativo está a atravessar uma transformação que nos obriga a repensar a própria escola. E essa mudança só pode ser feita com quem todos os dias a constrói: os professores, os alunos, as famílias e todos os profissionais que lhe dão apoio", declarou o chefe de Estado.
Na sua intervenção, António José Seguro destacou que "os professores são a força motriz dessa transformação", pois "conhecem as salas de aulas, acompanham os alunos, reconhecem dificuldades e descobrem talentos". Acrescentou que "os alunos devem ser chamados a participar" das alterações na escola e que "não podem ser apenas os destinatários" dessas mudanças.
O Presidente defendeu também que "valorizar os professores é valorizar a própria educação, porque nenhum sistema educativo será verdadeiramente forte se aqueles que todos os dias ensinam não sentirem que a sua profissão é respeitada, a sua missão é reconhecida e o seu esforço é valorizado". Dirigiu "uma palavra muito especial de reconhecimento" aos docentes.
Ao abordar as desigualdades socioeconómicas, António José Seguro considerou que a escola, enquanto "elevador social", está a funcionar "muito aquém da velocidade desejável". Referiu ainda que os resultados do PISA indicam retrocessos nas aprendizagens, afirmando que "Portugal tem muito caminho a percorrer. Infelizmente, a expressão correta é: muito caminho a recuperar".
O chefe de Estado destacou a necessidade de encarar os resultados "com serenidade, mas também com ambição" para que o país possa "estar entre os melhores, sem perda de talentos". Sublinhou que "é obrigatório garantir que as circunstâncias económicas e sociais de uma criança, de um jovem não podem determinar o seu futuro", destacando que a escola deve "transformar pontos de partida diferentes em oportunidades verdadeiramente iguais".
Reforçando a ideia do papel social da educação, apontou que o "elevador [social] está muito aquém da velocidade desejável para a promoção da mobilidade social".
Na cerimónia, António José Seguro renovou ainda o apelo à leitura e defendeu que "uma escola que quer preparar os seus alunos para um mundo em mudança tem de formar leitores" e deve "apostar em literacia e capacidade de análise crítica".
A nova Escola Secundária de Cascais foi construída ao lado da anterior e financiada parcialmente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A cerimónia de inauguração incluiu o descerramento de uma placa, uma bênção católica do patriarca de Lisboa, Rui Valério, e uma visita às instalações.
O Presidente da República destacou "o papel do PRR, que permitiu acelerar a requalificação de muitos estabelecimentos de ensino" no país, afirmando que "esta escola é uma obra de Cascais, mas é também parte de um esforço nacional e, devemos acrescentar, da própria União Europeia, que tem como objetivo primeiro dar às nossas crianças e aos jovens condições dignas de aprendizagem".
António José Seguro realçou ainda a importância da escola para a formação individual, considerando a educação como "muito mais do que uma política pública", sendo "uma promessa de liberdade", "uma das formas mais poderosas de construir uma sociedade mais justa" e "uma cultura de paz".
Após a cerimónia, o Presidente da República e o primeiro-ministro não prestaram declarações aos jornalistas e seguiram juntos num mesmo carro após a reunião semanal do Governo.







