Governos, educação e desenvolvimento
Sem surpresa, porque desde 2015, quando uma das condições do Bloco de Esquerda para o acordo que conduziu à geringonça foi o fim de exames, se sabe que a política do PS durante os oitos anos da governação seguintes se caracterizou pelo facilitismo. Pior, o PS sempre se preocupou apenas com o financiamento do ensino superior e votou ao abandono as creches e o pré-escolar.
Ora, como defendo há anos, o edifício do desenvolvimento humano do País, mas também económico, inicia-se nos primeiros anos de vida das nossas crianças, sabendo-se que mais de metade das crianças que não têm sem acesso a colégios privados, ou seja, os filhos das famílias mais pobres, chegam ao ensino oficial aos seis ou sete anos, com enormes diferenças de desenvolvimento relativamente às crianças das classes sociais mais favorecidas, crianças que têm livros em casa, cujas mães os levam à natação ou a uma qualquer aprendizagem musical, que frequentam teatros e cinemas, para grande choque dos outros que não tiveram acesso a nada disso, muitos dos quais não tiveram sequer acesso ao pré-escolar ou se ficaram por instituições de má qualidade.
São estas crianças marginalizadas desde a nascença, que não esperam entrar na universidade - apenas 3% tiveram acesso este ano – que preenchem os empregos mais mal pagos em lojas, restaurantes, cafés e em toda a imensa quantidade de pequenas empresas que sobrevivem em regime de autoexploração, empresas que morrem e nascem todos os anos aos milhares no mercado interno.
Entretanto, temos diariamente nas televisões celebrados comentadores, autênticas baratas tontas que se queixam da baixa produtividade do país, da queda das exportações, as mais baixas na Europa de entre os países da nossa dimensão, como dos baixos salários, para o que dão as mais retorcidas explicações, ou pedem a demissão de ministros.
A somar a tudo isto, nas sociedades do nosso tempo, os pais e as mães saem cedo de casa para ir trabalhar e as crianças que referi, que não frequentam o pré-escolar, têm a rua para sobreviver. Sendo, que mesmo aquelas crianças que têm acesso ao pré-escolar, fazem-no sem disciplina de horários e de frequência, onde também não aprendem os comportamentos necessários para uma vida saudável em sociedade. Encontramo-los mais tarde nas brigas de rua, na criminalidade e, na menos má hipótese, nas manadas que marcham entre filas de polícias, em direcção aos estádios de futebol.





