
Dezenas de pessoas exigiram remoção de "barril de pólvora" nas florestas
dezenas de pessoas reuniram-se hoje em Águeda, no distrito de Aveiro, para protestar contra os fogos florestais e exigir a remoção daquilo que dizem ser um “barril de pólvora” que pontua por todo o país, sob a forma de eucaliptais e pinhais plantados e abandonados.
Sob o lema “Parar o Inferno, Criar um Futuro”, ativistas e movimentos uniram-se em Valongo do Vouga, no concelho de Águeda, para conhecer iniciativas populares e associativas de plantação de espécies autóctones em territórios antes ocupados por eucaliptais e infestantes.
"Águeda tem uma experiência interessante sobre construção de uma floresta alternativa, feita por associações e pelas comunidades. Foram plantadas espécies autóctones ao longo de um caminho bastante grande e é um exemplo do que nós precisamos fazer em grande escala”, disse à Lusa, João Camargo, da organização.
O responsável diz que não existe nenhuma floresta "impermeável ao incêndio ou que não arda em nenhuma circunstância", mas considera que é possível ter florestas que ardem “muito mais devagar e que não espalham os incêndios como fazem as florestas de eucaliptal e um pouco menos as de pinhal”.
“A nossa floresta autóctone arde menos, arde mais devagar. Também arde, mas arde menos. E é possível controlar muito mais facilmente o fogo”, afirmou.
Organizada pela associação ambientalista Quercus, em parceria com o movimento Floresta do Futuro e Associação de Desenvolvimento e Proteção Local das Póvoas (ADPLP), a iniciativa pretendeu chamar a atenção da população e das entidades responsáveis para a necessidade de alterar a forma como o território florestal é gerido e reforçar as medidas destinadas à proteção das populações, particularmente das comunidades localizadas em zonas de maior risco.
"Neste momento, acho que é importante, em particular as populações que estão no interior, organizarem-se para tornar os seus territórios menos perigosos para si, apostando em culturas diferentes, através de respostas sociais e comunitárias", disse João Camargo.
O investigador e porta-voz do movimento Floresta do Futuro considera que o facto de este ano “não ter sido tão volumoso em termos de incêndios”, comparado com o ano passado, “foi apenas um acaso”.
“Portugal não teve um verão tão regularmente quente e, além disso, os fogos do ano passado consumiram muita biomassa, o que significa que a situação, apesar de este ano não ter sido catastrófica, continua a ser extremamente perigosa”, assinalou.
Ao longo de uma caminhada de cerca de seis quilómetros, os participantes puderam observar alguns territórios onde foi transformada a paisagem, em pequena escala, com as capacidades das associações locais e das comunidades. A jornada incluiu ainda uma ação de remoção de espécies infestantes, nomeadamente eucaliptos em terrenos localizados nas proximidades das aldeias.
Segundo o Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2026, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, desde o início do ano e até ao final de agosto registaram-se 6.910 incêndios rurais, que resultaram em 67.130 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (30.123 ha), matos (30.682 ha) e agricultura (6.325 ha).
Comparando os valores do ano de 2026 com o histórico dos 10 anos anteriores, registaram-se menos 15% de incêndios rurais e menos 25% de área ardida relativamente à média anual do período.
O ano de 2026 apresenta, até o sexto valor mais elevado em número de incêndios e o quinto valor mais elevado de área ardida, desde 2016.







