
Governo anuncia compensações por javalis abatidos
O Ministério da Agricultura e Mar prepara um projeto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido em zonas onde exista uma população excessiva. Estão definidos valores de 50 euros por machos e 70 euros por fêmeas abatidas, com o objetivo de reduzir em pelo menos 10% a população da espécie.
A Direção de Agricultura e Caça (DACO) considera que esta medida será apenas um lenitivo e não resolverá o problema do excesso de javalis, que aumenta ano após ano, juntamente com a redução do número de caçadores. "Deixar nas mãos dos caçadores e das suas organizações a redução dos efetivos de javalis não irá mudar o cenário que temos atualmente", afirma a DACO.
Em 2019, estimava-se que existiam cerca de 100 mil javalis em Portugal, número que em 2024 terá aumentado para perto dos 400 mil, segundo um estudo da Universidade de Aveiro. A previsão para 2026 indica que o número de animais continuará a crescer, devido à facilidade de procriação da espécie.
A ADACO alerta para os prejuízos crescentes que os agricultores têm sofrido, especialmente na agricultura familiar, com danos em hortícolas, milharais, outros cereais, pomares, estufas, olival, vinhas, soutos e floresta nova. Para além dos danos materiais, existe um perigo real de problemas graves de sanidade, nomeadamente com a peste suína africana, e um aumento dos acidentes rodoviários causados por javalis, alguns com vítimas mortais.
Segundo a ADACO, o país necessita de medidas que alterem radicalmente este cenário e exige ao Governo a implementação de um controlo de densidade eficaz, capaz de reduzir drasticamente a sobrepopulação de javalis. "O Governo têm que encetar esforços no sentido de aumentar a taxa de extração (abate de animais, ou outras medidas), de forma a reduzir em 60% o efetivo. Doutra forma o problema não se resolve", defende a organização.
Para além do controlo populacional, a ADACO reclama a atribuição urgente de indemnizações às famílias agrícolas lesadas, de forma expedita e desburocratizada. Estas compensações deverão basear-se num levantamento dos prejuízos efetuado pelos serviços do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A organização conclui que, sem estas medidas, o número de javalis continuará a aumentar e a agricultura familiar poderá deixar de existir. "E os principais culpados são os sucessivos Governos que desde 2017 (incluindo o atual), não tomaram medidas concretas de combate a este flagelo", acrescenta a ADACO.







