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Rock & Dão, um festival para ouvir (boa) música, provar o Dão e ficar pela região

Pedro Leitão imaginou um festival em Viseu há 16 anos. A ideia foi mudando até chegar ao Rock & Dão, que este ano junta grandes nomes da música a produtores de vinho da região. O objetivo é simples e ambicioso: fazer com que se vá ao festival pela música, mas se descubra também o melhor do Dão pelo caminho

Nem só de concertos se faz um festival. O Rock & Dão quer que, em Viseu, também se ouça o território, nos vinhos que se provam, na gastronomia que se partilha e nas histórias que se contam pelo prado do Parque Urbano de Santiago. Nove produtores do Dão vão estar presentes na primeira edição do evento, que leva ao mesmo recinto Mika, UB40 feat. Ali Campbell, Delfins e outros artistas.

O desafio, na verdade, está em fazer com que a descoberta aconteça quase sem se dar por ela.

Que quem venha a Viseu pela música encontre, pelo caminho, um vinho que não conhecia, uma conversa com um produtor ou um sabor que lhe desperte a curiosidade pelo Dão. A música é o ponto de partida, mas o diretor do festival, quer que a experiência vá muito além dos concertos. “Um dos grandes headliners é o vinho do Dão também”.

A frase de Pedro Leitão resume a importância que o festival dá à componente vínica, que estará representada por nove produtores: Allgo Dão, Lusus Dão, Mariana Salvador Vinhos, Moscoso, Pedra Cancela, The Portugal Wine Firm, Quinta das Camélias, Quinta do Paúl e Soito Wines. São diferentes casas, histórias e interpretações de uma mesma região, reunidas no mesmo espaço durante os dois dias de festival.

Os produtores estarão presentes com os seus vinhos disponíveis a copo, numa lógica que procura aproximar o público de quem está por trás de cada garrafa.

A ideia não é criar uma prova de vinhos tradicional no meio de um festival de música, mas aproveitar o ambiente mais descontraído do evento para que essa descoberta aconteça de forma natural.

“Este evento serve para os produtores ganharem dinheiro também”, assume Pedro Leitão. A componente comercial faz, por isso, parte da equação, mas surge integrada numa experiência mais ampla: dar visibilidade aos produtores, criar contacto direto com o público e permitir que cada um encontre o seu espaço num festival que espera receber milhares de pessoas de dentro e de fora da região.

“Se houver pessoas que venham e conhecerem mais um produtor de Dão do que já conheciam, para nós já criámos valor para a região”

E há um dado que a organização acompanha com particular atenção: cerca de metade das vendas de bilhetes, neste momento, corresponde a pessoas de fora de Viseu.

Para o diretor do festival, esse detalhe é importante não apenas para o festival, mas para toda a cidade e para a região.

Quem chega de fora para assistir a um concerto, enumera, “pode ficar para jantar, dormir num hotel, conhecer a cidade ou, no caso dos vinhos, descobrir uma garrafa que não fazia parte das suas escolhas habituais”. A expectativa é que esse público ajude a criar um efeito que ultrapasse os dias do evento e se estenda a outros pontos da região.

A gastronomia acompanha a aposta vínica e fica sob a curadoria do chef Luís Almeida, juntando no recinto propostas pensadas para acompanhar a ‘avenida’ de vinhos e prolongar a experiência “Rock & Dão”.

A área gastronómica terá a presença de vários chefs e diferentes espaços de restauração, entre propostas de cozinha mais elaboradas e food trucks.

É uma combinação quase que destinada. O Rock & Dão não nasceu para ser apenas mais um festival de música com vinho à volta, nem mais uma festa vínica com concertos como cenário de fundo. “Há tanta festa do vinho, quer dizer, mais uma que não acrescentava. Portanto, nós não queremos ser mais uma”, frisou.

A diferença, na visão da organização, está precisamente em juntar universos que habitualmente aparecem separados. Os grandes nomes do cartaz servem para trazer público, o vinho e a gastronomia dão-lhe outras razões para ficar.

E é essa diversidade que permite ao vinho sair do lugar onde normalmente é procurado. Desta vez, aparece num contexto inesperado e ao lado de um palco com milhares de pessoas.

Para os produtores, a vantagem pode estar precisamente aí. “Se houver pessoas que venham e conheçam mais um produtor de Dão do que conheciam, para nós já criámos valor para aquele produtor”, explica Pedro Leitão.

É uma ambição mais difícil de medir do que o número de bilhetes vendidos ou de copos servidos, mas talvez seja uma das mais interessantes do Rock & Dão. Porque um festival pode acabar quando se apagam as luzes do palco. A relação com um território, essa, pode começar precisamente depois.

Setembro 16, 2026 . 14:00

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