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Aos 50 anos, a ACERT leva Tondela para lá dos oceanos e encerra o ano em festa

Até dezembro, a ACERT apresenta cerca de 29 espetáculos e iniciativas, entre teatro, música, circo, cinema e artes visuais, com direito a digressões internacionais a Macau e à Guiné-Bissau, o regresso do Festival Internacional de Teatro e uma festa que assinala meio século de muitas histórias

Primeiro o céu de Tondela, depois os oceanos. É assim que a ACERT entra na reta final do ano em que celebra o seu 50.º aniversário, com um espetáculo aéreo na abertura da FICTON e duas digressões internacionais, adivinhe-se, a Macau e à Guiné-Bissau.

Até dezembro, a associação reúne cerca de 29 espetáculos, incluindo o Festival Internacional de Teatro, que se distribuem por música, circo, cinema e artes visuais, num calendário que cruza criações, coproduções, propostas para famílias e iniciativas com a comunidade do concelho.

Aos 50 anos, o movimento continua a ser uma das marcas da ACERT. Depois de meses de circulação nacional, com passagens por Tomar, Estarreja, Montemuro, Caldas da Rainha e Guarda, a companhia prepara novas paragens fora do país.

“Queremos estabelecer parcerias com estes grupos (de Macau e Guiné-Bissau), conhecer o que fazem, levar a nossa experiência e receber a experiência deles”, explicou ontem Ilda Teixeira, responsável pela coordenação das digressões, durante a conferência de imprensa de apresentação da programação de final de ano. A primeira viagem acontece em outubro, quando a ACERT estará em Macau entre os dias 12 e 25, a convite da Casa de Portugal de Macau.

Serão apresentados “O Bosque” e “Queres Que Eu Te Conte”, com cinco sessões nas escolas, entre as quais a Escola Portuguesa. O programa inclui ainda encontros com grupos locais e momentos de formação teatral e musical.

A escolha dos espetáculos não é casual. “São os espetáculos que trabalham a memória, a nossa memória de Tondela, a nossa memória portuguesa”, frisou Ilda Teixeira, que vê nestas viagens uma oportunidade de levar uma parte da experiência construída pela associação e, ao mesmo tempo, de trazer outras experiências para o concelho.

“É muito enriquecedor para os dois lados”, acrescentou.

"São espetáculos que também trabalham a memória, a nossa memória de Tondela, a nossa memória portuguesa", diz Ilda Teixeira, sobre os espetáculos “O Bosque” e “Queres Que Eu Te Conte”

Em novembro, depois do FINTA, será a vez de ir até Guiné-Bissau. Entre 24 de novembro e 1 de dezembro, a ACERT participa no “Djintis – Festival de Teatro”, promovido pela Ur_gente - Centro de Artes Cénicas Transdisciplinar de Bissau. A companhia apresentará novamente “O Bosque” e “Queres Que Eu Te Conte”, mas a viagem terá uma dimensão que ultrapassa os espetáculos. Além de encontros com atores locais, está prevista uma sessão de formação para adolescentes.

“O grupo é recente e ainda querem receber formação e conhecer as experiências que outras organizações e outros grupos de teatro têm nos seus países de origem”, explicou Ilda Teixeira. O festival tem três anos e contou na edição anterior com participantes de 14 países. A ligação entre as duas estruturas poderá, contudo, ganhar uma vida mais longa.

Está já prevista para 2030 uma coprodução entre atores da Ur_gente e do Trigo Limpo ACERT, com um processo de criação que deverá passar por Tondela e depois pela Guiné-Bissau. “Há encontros e, desses encontros, surgem estas ligações e esta vontade de trabalharmos em comum”, resumiu.

E o céu de Tondela?

Antes de atravessar oceanos, a ACERT ocupa o céu de Tondela. “Voar no Tempo” estreia esta sexta-feira, às 20h45, no Parque Urbano de Tondela, na abertura da FICTON’26. Criado para celebrar os 50 anos da associação e o evento do concelho, o espetáculo junta teatro musical, música, coreografia aérea e pirotecnia.

Em palco e no ar estarão a Filarmónica Tondelense, o Coral Polifónico da Casa do Povo de Tondela, a Orquestra Smooth, o Conservatório de Música e Artes do Dão e a companhia espanhola Voalá – Compañia de Espectáculos Aéreos. E José Rui Martins, diretor artístico, sublinha precisamente a dimensão coletiva da criação.

“Deixa de haver Filarmónica Tondelense, Casa do Povo ou ACERT, para haver uma única equipa que trabalha no mesmo sentido de construir um espetáculo”, frisou.

A presença de músicos formados na região que hoje trabalham no estrangeiro é também, para o responsável da ACERT, um sinal da capacidade de criação existente no interior. “Não somos uma ilha na cultura da nossa região”, afirmou.

Restante programação

Depois da abertura da FICTON, a programação mantém a diversidade. “A Casinha de Chocolate”, ópera para bebés da Associação Setúbal Voz a partir de “Hänsel und Gretel”, de Engelbert Humperdinck, é uma das primeiras propostas de setembro. O mês inclui ainda “Dicas Misteriosas”, curta de animação criada nas oficinas de verão da ACERT com a Casa Estrela, e o café-concerto “Livre|Mente”, de Ariana Neves.

Em outubro, a programação abre espaço às artes visuais com “De Cucujães a Tondela” (dia 2), exposição de escultura de Paulo Neves, com curadoria de Manuel Hobler.Há também circo, humor e poesia em “Pharol 54” (dia 3), de Thorsten Grütjen, criação resultante de uma residência artística na ACERT e apresentada em coprodução com a associação.

O cinema de animação regressa no dia 10 através de uma sessão do Cineclube de Viseu, que junta filmes de alunos de escolas de Tondela a escolhas do realizador Miguel Lima. E, no final do mês, “Black Box – Uma Saga Familiar”, de Hugo Torres, em coprodução com o Novo Ciclo ACERT, leva uma história de família para a cozinha. Em palco, o autor prepara uma receita enquanto percorre cinco séculos da sua história, convidando o público a comer enquanto assiste.

Novembro será marcado pelo regresso do FINTA – Festival Internacional de Teatro da ACERT, que chega à 32.ª edição e este ano se divide por dois fins de semana, de 12 a 14 e de 19 a 21, uma iniciativa “que terá o seu momento” de divulgação. A 28 de novembro, o (H)a Ver Teatro – Grupo de Teatro de Amadores da ACERT estreia “Isto é Trigo Limpo…”, uma homenagem aos 50 anos da companhia.

“Este espetáculo irá juntar trechos de alguns espetáculos icónicos durante estes 50 anos do Trigo Limpo, e será um momento de bastante humor”, adiantou Daniel Nunes.

 último mês do ano será reservado à celebração. “Partida, Lagarta, Fugida!” (dia 12), de Catarina Caetano, leva uma proposta para famílias à ACERT, antes da festa dos 50 anos, marcada para o primeiro fim-de-semana de dezembro.

A celebração inclui ainda a estreia de uma nova coprodução que juntará em palco a Filarmónica Tondelense e a Casa do Povo.

Setembro 9, 2026 . 16:45

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