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Quase metade dos jovens portugueses já usa IA para estudar

Quase metade dos alunos portugueses de 15 anos usam a Inteligência Artificial para estudar e fazer trabalhos e há cada vez mais relatos de estudantes distraídos com os écrans durante as aulas.

Estas são algumas das conclusões da nova edição do maior estudo internacional sobre educação, o Programme for International Student Assessment (PISA), que envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países e economias.

O estudo avaliou a relação dos alunos de 15 anos com os dispositivos digitais e concluiu que os portugueses passam, em média, uma hora e 24 minutos por dia na escola a usá-los para aprender, abaixo da média diária da OCDE, de uma hora e 42 minutos.

No entanto, os portugueses passam mais tempo em frente aos ecrãs para lazer, superando a média da OCDE: são 1,2 horas de lazer, contra 1,1 hora na OCDE.

Voltando à sala de aula, 31% dos estudantes portugueses dizem que os seus colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais nas aulas de Ciências, contra 28% na OCDE.

O estudo mostra ainda que os estudantes que se distraem com os ecrãs têm piores desempenhos académicos, quando comparados com os colegas que garantem não se distrair.

Os investigadores alertam para a importância da forma como são usadas as ferramentas digitais e a Inteligência Artificial (IA) na aprendizagem: se uma utilização moderada pode trazer melhor resultados, um uso excessivo provoca distração digital e piora os resultados académicos.

“As salas de aula devem ser mantidas livres de distrações digitais evitáveis”, como o uso não pedagógico de telemóveis, lê-se no relatório, que defende que a IA “deve ser usada de forma direcionada para feedback e prática personalizada”, complementando, e não substituindo, a aprendizagem ativa e o raciocínio dos alunos.

Dos quase sete mil alunos portugueses inquiridos, 48% disseram usar chatbots de IA para aprender (a média da OCDE é de 46%). Dizem que os usam para fazer uma pesquisa inicial, elaborar resumos ou escrever textos.

A boa notícia é que a maioria dos alunos (57%) diz que avalia, em sala de aula, a qualidade da informação produzida por IA, mais do que a média da OCDE (53%), e os alunos portugueses surgem entre os que mais dizem cruzar informações de fontes diferentes.

Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de o Ministério da Educação vir a alargar para dentro da sala de aula a proibição do uso de ecrãs, o secretário de Estado Alexandre Homem Cristo descartou, para já, essa possibilidade.

A proibição do uso de smartphones dentro das escolas foi alargada este ano letivo até ao 9.º ano, podendo ser usados em situações excecionais, como nos casos em que os alunos precisam do equipamento por questões de saúde.

“Não está nos nossos planos alargar (a proibição de uso de smartphones) até ao ensino secundário, mas naturalmente estamos abertos a que a evidência nos mostre que há razões para melhorar ou rever algum tipo de enquadramento que estamos a fazer”, explicou em entrevista à Lusa.

O estudo da OCDE hoje divulgado, que revelou que os alunos portugueses pioraram os seus desempenhos a Leitura, Matemática e Ciências, avaliou pela primeira vez a literacia dos jovens na resolução de problemas computacionais e, neste campo, Portugal destacou-se pela positiva.

“Na nova literacia de resolução de problemas computacionais, já estamos alinhados” com a OCDE, sublinhou Alexandre Homem Cristo, acrescentando que, neste campo, também não há um grande fosso entre alunos de famílias carenciadas e privilegiadas.

Os alunos portugueses tiveram nesta última edição do PISA os piores desempenhos dos últimos 20 anos, sendo que a Leitura foi o pior resultado desde que Portugal começou a participar no PISA, em 2000, quando surgiam entre os piores e muito abaixo da média da OCDE.

Desde então e até 2015, foram melhorando nas provas que se realizavam de três em três anos, ao ponto de o diretor do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, apontar o país que tinha “maus alunos” como uma das “maiores histórias de sucesso da Europa”.

Em 2015, os alunos ficaram pela primeira vez acima da média da OCDE nas três literacias testadas: Matemática, Ciências e Literatura. Em 2018, os resultados estabilizaram mas, na última década, a tendência de melhoria inverteu-se.

Setembro 8, 2026 . 09:45

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