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Projeto-piloto detetou falta de qualidade do ar em 12 escolas do norte e centro

Um estudo sobre a qualidade do ar em 12 escolas concluiu que os poluentes atmosféricos medidos à entrada destes estabelecimentos estão acima dos futuros limites legais, revelou a Associação Bora Ambientar.

A revelação das conclusões preliminares do estudo é feita no âmbito do Dia Internacional do Ar Limpo para o Céu Azul, que hoje se assinala.

O projeto “Respirar Fundo”, cofinanciado pela União Europeia, envolveu 13 escolas do ensino básico e secundário dos concelhos de Ponte de Lima, Barcelos, Guimarães, Póvoa de Varzim, Vila Nova de Gaia, Ílhavo, Caldas da Rainha, Sintra, Lisboa e Sesimbra.

Segundo a associação, a monitorização foi efetuada através da instalação itinerante de estações portáteis de medição da qualidade do ar nas escolas participantes, equipadas com sensores específicos para a medição contínua dos principais poluentes atmosféricos, nomeadamente partículas em suspensão (PM10 e PM2.5), dióxido de azoto (NO₂) e ozono troposférico (O₃).

Os resultados conhecidos a partir dos relatórios produzidos pelo Centro de Investigação Ambiental e de Sustentabilidade [CENSE na sigla em inglês] são sobre 12 das 13 escolas abrangidas, já que a escola de Ílhavo só no próximo ano letivo terá uma estação portátil de medição da qualidade do ar.

Assim, nas 12 escolas monitorizadas, “os perfis horários das concentrações de PM10, PM2.5 e NO₂ são consistentes com a influência do tráfego rodoviário e registam aumentos nas horas de ponta de manhã e à tarde”, lê-se no comunicado.

“Em nove das 12 escolas monitorizadas, caso a análise tivesse considerado os valores limite mais restritivos da Diretiva Europeia 2024/2881, que entrará em vigor em 2030, teriam existido muito mais situações de incumprimento, com concentrações médias de PM2,5 e de NO₂ superiores ao respetivo valor-limite anual em vários dos dias analisados”, assinala.

Neste particular, prossegue, em algumas escolas foram registadas “excedências pontuais aos valores-limite em vigor em alguns dias relativamente a alguns poluentes, nomeadamente no que respeita às partículas PM2.5 e PM10”.

Os casos identificados surgem “com maior incidência a Norte (casos da EB Freixo/Ponte de Lima, da EB Manhente/Barcelos e da ES António Sérgio/Gaia), especialmente à noite e ao fim de semana, sugerindo influência de fatores externos à atividade da escola (sistemas aquecimento a biomassa, queimadas e poeiras)”, concluiu o estudo.

“No caso da ES António Sérgio, a recorrência verificada de episódios acima do valor-limite legal de 40 μg/m³ [40 microgramas por metro cúbico] justifica o acompanhamento continuado da monitorização, dado que crianças e jovens são particularmente sensíveis aos efeitos respiratórios do NO₂”, alertam.

Segundo a associação, foi também possível concluir que, “apesar de haver uma coerência entre as medições feitas pelas estações do projeto e as estações de referência da rede nacional, em vários casos registaram-se diferenças nos níveis absolutos, o que ilustra as limitações das redes oficiais de monitorização da qualidade do ar”.

O facto de estas últimas estarem localizadas em pontos fixos não permite capturar níveis de exposição em locais específicos, explica a associação.

No terreno desde setembro de 2025, o projeto envolveu cerca de 1.500 alunos e chegou a mais de 250 docentes do ensino básico e secundário, cruzando várias disciplinas, como Geografia, Ciências Naturais ou Físico-Química.

A partir de outubro, a Associação avança com uma nova edição, chamada “Respirar+Fundo”, envolvendo escolas noutras regiões do país.

Essa expansão do projeto terá o apoio das autarquias e incluirá, a par da monitorização da qualidade do ar, atividades paralelas de educação ambiental e ainda a criação de clubes meteorológicos escolares, replicando exemplos criados no projeto-piloto.

Setembro 7, 2026 . 11:00

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