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Irão ameaça criar nova "zona interdita" no estreito de Ormuz nos próximos dias

Num sinal de endurecimento das posições, Mohsen Rezaï indicou que esta zona "começará na linha de bloqueio da marinha americana e incluirá setores do Golfo"

O Irão ameaçou os Estados Unidos de dar uma resposta "mais intensa" criando uma nova "zona interdita" no Estreito de Ormuz "nos próximos dias", anunciou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaï.

Desde sexta-feira, os dois blocos têm-se atacado sobretudo na região do Golfo, onde o tráfego marítimo continua muito reduzido entre o bloqueio do Estreito de Ormuz por parte de Teerão, e o bloqueio marítimo americano imposto, em contrapartida, aos portos iranianos.

Num sinal de endurecimento das posições, Mohsen Rezaï indicou que esta zona "começará na linha de bloqueio da marinha americana e incluirá setores do Golfo", precisou.

"Qualquer navio que entre nesta nova zona será colocado numa lista de sanções", ameaçou o dirigente iraniano.

Na sexta-feira, o Irão tinha começado por visar um porta-aviões e um contratorpedeiro americanos, que "escaparam a múltiplos ataques iranianos não provocados", de acordo com Washington.

O exército americano respondeu no sábado, atacando três petroleiros que, segundo Washington, estavam ligados aos Guardas da Revolução, enquanto a força armada iraniana afirmou depois ter visado, em retaliação, três petroleiros no estreito de Ormuz.

"Os americanos devem ter percebido que a era das respostas proporcionadas acabou", disse Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador-chefe e presidente do Parlamento iraniano, numa mensagem difundida por um órgão de comunicação estatal, acrescentando que "qualquer agressão contra os interesses e a segurança do Irão receberá uma resposta mais rápida, mais intensa e mais dolorosa".

Tanto o Irão como os Estados Unidos foram trocando ameaças ao longo destes meses de conflito, muitas vezes através das redes sociais, enquanto, no plano diplomático, as negociações para pôr fim à guerra no Médio Oriente continuam num impasse.

"O Irão está a fazer tudo para se agarrar a qualquer coisa", disse hoje o secretário da Energia norte-americano, Chris Wright. "Eles sabem que o seu programa nuclear está perto do fim, tal como a sua marinha e a sua força aérea. Estão a agarrar-se ao poder", disse no canal ABC.

No início da semana, o vice-presidente americano, JD Vance, tinha afirmado que a passagem de petróleo e gás na região tinha "quase" recuperado os seus níveis anteriores à guerra, afirmação muito distante da realidade, segundo a AFP.

De facto, o tráfego de navios de matérias-primas - hidrocarbonetos, fertilizantes e minerais - desabou para uma média de dez passagens por dia após o bloqueio do estreito por Teerão, a 01 de março, face a uma média de 95 passagens diárias em fevereiro, segundo uma análise da AFP baseada nos dados da plataforma de rastreio de fluxos marítimos Kpler.

Desde 08 de julho, dois terços das passagens tornaram-se "fantasma" ou desconhecidas, comparadas com menos de 1% antes da guerra, de acordo com a Kpler.

No entanto, com a aproximação das eleições norte-americanas de meio de mandato, em novembro, Donald Trump está a fazer de tudo para desvalorizar o conflito.

A guerra no Irão "são amendoins para nós", declarou o presidente norte-americano na sexta-feira, assegurando que os Estados Unidos realizavam apenas "ataques cirúrgicos" e não estavam "atualmente a combater".

Trump diz querer agora privilegiar a "guerra económica" contra Teerão, que já sofre com sanções há décadas.

Setembro 7, 2026 . 07:45

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