
Em Nelas, o Dão brinda à história e à memória de uma região
Há regiões que se contam pela paisagem. Outras, pelas memórias. O Dão conta-se também através do vinho. E, em Nelas, essa história começou a ser contada em música. “Em Nelas, há tradição. Em Nelas, Feira do Vinho do Dão. Onde se conta a história, onde se sente a glória desta região. Em Nelas, somos o Dão”. Foi assim, pela voz da Associação Cultural ContraCanto, que arrancou a sessão de abertura da Feira do Vinho do Dão.
Depois, foram os copos, as garrafas e os produtores a tomar conta do recinto. Entre stands, provas e conversas, o vinho voltou a ser ponto de encontro de uma região que Nelas quer mostrar sem fronteiras.
Foi também por entre os produtores que passou Luís Montenegro. O primeiro-ministro percorreu o certame, contactou com os expositores e deixou uma ideia que atravessou a sua visita: o vinho do Dão é também uma forma de olhar para o território e para o seu futuro.
“Esta feira é uma mostra que nos permite olhar com confiança para o nosso território, para as atividades económicas que podemos desenvolver e que podemos, de alguma maneira, ir apoiando no sentido de criar valor”, adiantou, em declarações aos jornalistas.
Para o primeiro-ministro, o potencial do Dão não termina na garrafa. Os produtos da região têm capacidade para chegar “daqui da região do Dão para todo o mundo” e devem ser encarados “numa perspetiva transversal”.
Montenegro sublinhou ainda que apoiar a vitivinicultura é também apoiar o território e outras atividades económicas que gravitam em torno do setor. “Quando nós apoiamos a agricultura portuguesa, a vitivinicultura portuguesa, nós não estamos apenas a tratar (...) de melhorar a nossa soberania alimentar, de ocuparmos o nosso território e tirarmos partido do seu potencial, estamos muitas vezes também a alimentar outras áreas de atividade”, reforçou.
Mas a celebração não esconde os desafios que se atravessam no caminho do setor.
Questionado sobre as dificuldades dos viticultores do Dão e sobre a possibilidade de estender à região os apoios anunciados pelo Governo para os produtores do Douro, o primeiro-ministro reconheceu que “há dificuldades”, mas recusou comparar diretamente as duas regiões.
“Seria muito fácil para mim estar aqui a dizer que o Dão é igual ao Douro, mas não é. Nós estamos atentos a todas as outras regiões e estamos aqui no Dão, onde também há dificuldades”, garantiu.







