
Chuva provocou quebras de cerca de 30% na maçã
A chuva da semana passada provocou uma quebra entre 25 a 30% na variedade de maçã mais precoce, que está ainda a ser colhida no concelho de Carrazeda de Ansiães, revelou hoje a associação de agricultores.
Em declarações à Lusa, o técnico Duarte Borges, da Associação dos Fruticultores, Viticultores e Olivicultores do Planalto de Ansiães (AFUVOPA), adiantou que nas explorações com maior dimensão, onde ainda está a ser apanhada maçã de variedade precoce, ou seja, Gala, a chuva provocou rachadelas e atirou com muito fruto ao chão.
“Fruto completamente maduro, com plano de maturação, em que provocou, por ser uma variedade bastante sensível, rachadura, há o rachamento do fruto e também queda. Fez-se sentir algum vento que, acompanhado da precipitação, provocou também alguma queda do fruto, que depois não é colhido para o consumo em fresco”, disse.
Esta maçã, embora não esteja totalmente danificada, só poderá ser vendida para indústria, para compotas, para concentrado de fruta ou para laminar, resultando na “depreciação do fruto”.
De acordo com o técnico, uma maçã de qualidade, vendida para fresco, pode ser comprada ao produtor entre 40 a 45 cêntimos, mas com rachas este valor cai para mais de metade.
“Há uma desvalorização na ordem dos 60 a 70%”, vincou Duarte Borges.
Perante este cenário, muitos produtores nem se dão ao trabalho de apanhar a maçã, face à despesa da mão de obra. “Os custos atualmente são muito elevados e o preço da colheita também por si é bastante elevado. Na grande maioria das explorações esse fruto nem é colhido”, disse.
No concelho de Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, há cerca de 50 agricultores que se dedicam a esta cultura.
A apanha começou a 12 de agosto, 10 dias mais cedo do que habitual, devido às “ondas de calor” que aceleraram o processo de maturação.
No final desta semana prevê-se que esteja colhida toda a maçã de variedade precoce e que em meados da próxima semana comece a apanha das variedades mais tardias, como a Golden.
Segundo o técnico da AFUVOPA, para estas variedades, a chuva foi “excelente, benéfica”, porque “fez com que o fruto melhorasse em termos de calibre e de qualidade”.
As previsões apontam para uma campanha de boa qualidade, com mais maçã que no ano anterior, podendo ser apanhadas entre 20 mil a 25 mil toneladas.








