
Atrasos nos exames prejudicam estudantes da segunda fase do ensino superior
O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu que os candidatos da segunda fase ao ensino superior são os mais prejudicados pelos atrasos nas correções dos exames nacionais, confiando que as instituições disponham de mecanismos para a sua integração.
"Nas alterações de calendário que nós fizemos, eu diria que este é, de facto, o efeito mais negativo para um conjunto de alunos que, apesar de tudo, são cerca de 10% dos alunos que entram no ensino superior em Portugal, mas obviamente são importantes", afirmou o ministro Fernando Alexandre durante a cerimónia que assinalou a primeira ativação presencial da Chave Móvel Digital numa escola em Carnaxide, Oeiras.
Fernando Alexandre referiu que as instituições deverão adotar medidas para compensar a perda de aprendizagens, especialmente nas que iniciam o calendário mais cedo.
"Obviamente as instituições deverão tomar as medidas que permitam compensar, no caso das instituições que comecem o calendário mais cedo, a perda de aprendizagens que pudesse resultar daí", disse.
O governante salientou que muitas universidades estão habituadas a atrasos e dispõem de processos de recuperação para os alunos que ingressam com o ano letivo já em curso. "As universidades e institutos têm processos de recuperação de aulas para aqueles que vão entrar duas semanas mais tarde e que vão ser, de facto, um pouco prejudicados por isso", afirmou, acrescentando que algumas instituições têm mecanismos para a integração destes alunos.
Fernando Alexandre recordou que estas decisões enquadram-se na autonomia das instituições de ensino superior.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto para o Ensino Superior (IES), das 56.228 vagas iniciais na primeira fase, foram colocados 49.991 alunos, mas 4.512 não se inscreveram. Após reclamações, ficaram mais de 11.112 lugares disponíveis.
A primeira fase do concurso registou o maior número de colocados da última década, exceto em 2020, ano em que foram adotadas regras excecionais para a conclusão do ensino secundário e para a utilização de exames nacionais como provas de ingresso.
As candidaturas à segunda fase do concurso decorrem entre 24 de agosto e 20 de setembro, período alargado em três semanas devido ao adiamento da segunda fase dos exames nacionais do ensino secundário e à criação de uma época especial em setembro.
Este ano, pela primeira vez, os exames nacionais foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas que levaram ao adiamento da divulgação das notas e a alterações nos calendários da segunda fase dos exames e do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES).








