
Sánchez diz que Espanha e UE foram atacadas em Ceuta e iliba Marrocos
Segundo Sánchez, continuam a ser investigadas a origem e as causas exatas do que ocorreu em 30 de julho no enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte de África, mas não há "nenhuma informação", por parte das forças de segurança nacionais e serviços de inteligência de Espanha ou outros, que responsabilize ou aponte para "a participação de uma forma ou outra" de Marrocos.
"Temos de ser conscientes de que esta crise só se vai poder resolver com a cooperação e não com a falta de confiança em Marrocos, que aquilo que faria seria agravar ainda mais a situação complexa que já temos em Ceuta", disse o líder do Governo de Espanha numa entrevista em Madrid à rádio Cadena Ser em que sublinhou a "cooperação instantânea" de Rabat neste caso.
"Continuamos a investigar [o que aconteceu em Ceuta no final de julho]. O Governo de Espanha tem de agir sobre dados, sobre factos certos", sublinhou.
Sánchez reiterou que aquilo que as autoridades de Espanha sabem até agora é que "foi deturpada uma sentença do Tribunal Supremo" espanhol nas redes sociais sobre devolução de migrantes que cruzam ilegalmente uma fronteira a nado.
Essa desinformação foi aproveitada por "organizações criminosas" e os boatos e mentiras alastraram em redes sociais "associadas tanto à Rússia como Israel e a uma internacional de extrema-direita que usa sempre a migração não só para atacar Espanha como também a Europa", acrescentou, lembrando que os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla têm as únicas fronteiras terrestres da União Europeia (UE) com África.
Pedro Sánchez considerou que Espanha e a UE sofrerem um "ataque híbrido" que usou a imigração e defendeu que a Europa deve e tem de ser sempre solidária, "em Lampedusa, na Gronelândia, em Ceuta ou nas Canárias", e lamentou as críticas e reações ao ocorrido em Ceuta de governos como o de Itália ou Dinamarca.
O primeiro-ministro reiterou ainda que o governo espanhol não teve qualquer informação nos dias anteriores à entrada de mais de 70.000 pessoas em Ceuta - onde a população residente ronda as 83.500 - que previsse "a magnitude da crise".
Segundo Sánchez, que aquilo que houve foram relatórios sobre um pico de tentativas de acesso à cidade a nado que levaram a reforços de meios de controlo da fronteira e de instalações de acolhimento de migrantes.
Das dezenas de milhares de pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta no final de julho, 5.000 permanecem na cidade e 1.200 são menores de idade, disse hoje Pedro Sánchez, que assegurou que previsivelmente a maioria será devolvida a Marrocos por não reunirem as condições para terem asilo.
Por outro lado, houve já mais de 100 deportações no último mês de pessoas que cometeram crimes, acrescentou.








