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Sindicato reclamou salários mais justos na hotelaria e restauração

Numa ação de luta e de protesto hoje realizada na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, o Sindicato de Hotelaria do Centro exigiu a revisão da contratação coletiva, incluindo salários mais justos.

Depois de, durante a manhã, o protesto ter assentado arraiais em Coimbra, à frente das instalações da AHRESP – a associação que representa a hotelaria, restauração e similares em Portugal -, de tarde, pouco mais de uma dezena de dirigentes sindicais e trabalhadores hoteleiros e da restauração mudou-se para a Figueira da Foz, para a zona turística do Bairro Novo, no intuito de levar as suas reivindicações àquela praia da região Centro.

A iniciativa, que um observador mais atento poderia definir como um pequeno manual do exercício do sindicalismo, nos dias de hoje, a nível logístico e de mensagem, se não passou despercebida, também não logrou cativar clientes de estabelecimentos ou transeuntes, que se limitaram a ignorar o protesto, não interagindo com o ‘piquete’ sindicalista.

O grupo esteve junto ao casino da Figueira da Foz – por esta altura a mudar de mãos para um grupo espanhol e, depois, fez o percurso pedonal pelo passeio do chamado Picadeiro até à esplanada Silva Guimarães, fronteira à praia.

Paragem de 10 minutos junto ao varandim – um pequeno descanso para quem carregava uma coluna de som, um tripé de suporte, um escadote de três degraus e bandeiras para todos – tão só para deixar visível uma faixa da campanha nacional, com iniciativas locais ou regionais, agendadas para as seis capitais de distrito e outras localidades importantes ao nível turístico, na praia ou na montanha, na região.

António Baião, o já histórico - e quase na reforma - dirigente sindical e quadro do PCP local é, mesmo que não o queira, uma espécie de figura tutelar dos manifestantes, embora vá assumindo que é necessário dar lugar a outros, mais novos.

Seja a indicar o caminho para o destino final – a Torre do Relógio adjacente ao areal e de frente para uma das maiores e mais concorridas cervejarias da cidade - a sacar de abraçadeiras plásticas para segurar as faixas de propaganda ou a subir ao escadote para colocar pendões nos postes, Baião está presente.

Já no que à mensagem do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro, afeto à CGTP, diz respeito, passa, sem hesitar, o ‘palco’ para o presidente Afonso Figueiredo, a cumprir um segundo mandato no cargo, embora já leve vários anos de militância sindical.

Em declarações à agência Lusa, Afonso Figueiredo frisou que a campanha “que é nacional, tem como objetivo, em primeiro lugar, alertar e sensibilizar os trabalhadores, sensibilizando-os para a necessidade de se fazer alguma coisa face a este problema do bloqueio generalizado da contratação coletiva”.

Os clientes da hotelaria e restauração não ficam de fora dos objetivos sindicais, que passam por lhes dar a conhecer a situação que os trabalhadores vivem, de baixos vencimentos – o salário mínimo nacional ou lá perto – apesar de muitos terem décadas de experiência.

“Eu estou no topo de carreira, não tenho mais progressão para fazer, mas ganho o salário mínimo nacional”, afiançou o dirigente sindical, que trabalha, há 15 anos, num conhecido grupo hoteleiro de Viseu.

A esplanada da cervejaria, quase repleta, foi brindada, em modo de repetição, durante 40 minutos, com o áudio da mensagem sindical, a cargo da coluna amplificada estrategicamente colocada no tripé, por detrás dos manifestantes. Dois deles deixaram as bandeiras junto do restante grupo e foram, de porta em porta, de restaurantes a cafés e hotéis, distribuir folhetos com toda a informação da campanha sindical em curso, garantindo Afonso que os camaradas são habitualmente bem recebidos por trabalhadores e clientes, mas nem tanto por parte dos donos dos estabelecimentos.

Um deles, João Ponte, há três anos empregado de mesa num restaurante de Pombal, distrito de Leiria, continua a receber o salário mínimo nacional e apontou o dedo à AHRESP e a outras associações do setor.

“Desde há três anos que eles se recusam, precisamente, a negociar tabelas salariais connosco. Os aumentos que propõem são muito baixos e, à troca disso, a condição que impõem é a retirada de direitos, o que não aceitamos nem vamos aceitar”, vincou.

Gerné Martins deixou São Tomé e Príncipe há 20 anos e veio para Portugal, estando há 15 anos num ‘resort’ hoteleiro de Óbidos, onde trabalha na manutenção de um campo de golfe. Aufere “praticamente” o salário mínimo e explica que o acréscimo ao vencimento base nacional ‘desaparece’ no combustível necessário às deslocações diárias que tem de fazer, ida e volta, de 60 quilómetros, entre Peniche, onde mora, e o local de trabalho.

A função de Gerné é frequentemente elogiada, quer pela entidade patronal, quer pelos clientes do campo de golfe: “A entidade patronal elogia, mas quando é para aumentar o salário, nunca tem dinheiro”, lamentou.

Já os clientes espantam-se com o vencimento auferido: “Temos ‘feedback’ muito bom, em vários torneios fomos exemplares no serviço, somos elogiados por todos. Os turistas elogiam-nos, mas passa-lhes ao lado as nossas dificuldades do dia-a-dia, quando lhes digo o salário que ganho, eles não acreditam, mas é uma realidade”, enfatizou.

Agosto 28, 2026 . 19:15

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