
Festival CineEco leva a concurso 87 filmes de 34 países em outubro
A seleção oficial foi definida a partir das 410 obras candidatadas, entre filmes de ficção, documentários produzidos para cinema e televisão, nacionais e internacionais, além de obras de artes visuais, realizadas em meio digital, vídeo ou película, com temática ambiental, acrescenta o CineEco em comunicado.
No total, em Seia vão ser exibidos 106 filmes, 87 dos quais nas seis competições principais do festival.
Em outubro, “Seia volta a ser o centro do cinema ambiental internacional com nove dias dedicados à exibição de filmes nacionais e internacionais que dão visibilidade e propiciam a reflexão sobre as grandes questões ambientais da atualidade”, realça a organização.
Destaque para a seleção internacional de longas-metragens, que traz a Portugal dez documentários em estreia nacional absoluta, premiados ou selecionados em festivais de referência como Cannes, Roterdão, Visions du Réel (França), Sundance (EUA), CPH:DOX (Dinamarca) ou Thessaloniki Film Festival (Grécia).
Trata-se de “narrativas ambientais pertinentes sobre modelos económicos, os novos desafios do ativismo ambiental, apartheid climático, migrações ambientais, espécies, habitats e exploração de recursos em cinco continentes”.
Entre a seleção para 2026, o CineEco faz vários destaques, como duas das ficções, “On the sea”, em que Helen Walsh explora a tensão entre tradição e natureza numa comunidade piscatória galesa, e a comédia francesa “L’Espèce explosive”, de Sarah Arnold, sobre o conflito entre agricultores, caçadores e javalis.
Num festival dedicado à temática ambiental, estão bastante presentes as ameaças provocadas pela modernidade e mudanças climáticas. Como as que afetam comunidades pastoris ancestrais, retratadas em “Let our moutains live”, do norueguês Håvard Bustnes, sobre pastores de renas ‘sami’ que lutam contra o maior parque eólico da Europa.
Ou “Iron winter”, de Kasimir Burgess, em que se observa o compromisso férreo de dois amigos para proteger dois mil cavalos no rigoroso inverno do deserto da Mongólia.
Em Seia vão passar diversos filmes relacionados com a temática das alterações climáticas e do sobreaquecimento global, mas que também ajudam a identificar vestígios contemporâneos do poder colonial, perceber os conflitos gerados pela exploração dos recursos ou que refletem ameaças à sustentabilidade e a territórios naturais.
A ação de povos nativos, os dilemas na gestão de recursos e urbanismo, problemas relacionados com ecossistemas aquáticos, questões relacionadas com as culturas indígenas e os ativismos locais, a reflorestação, a preservação do património imaterial e as migrações associadas a pressões ambientais ou sociais são outros temas abordados.
Entre os filmes de língua portuguesa escolhidos, destaca-se a estreia nacional da ficção especulativa “Yellow cake”, do brasileiro Tiago Melo, obra que conta com a produção de Kléber Mendonça Filho e Emilie Lescaux, indicados ao Óscar com “O agente secreto”.
O Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela dá também espaço a filmes dedicados ao território protegido, com quatro filmes a concurso, e um extracompetição: “Lições de fogo”, de John Webster, documentário sobre incêndios em Portugal filmado em Castelo Branco e na aldeia do Sabugueiro, em Seia.
Ao todo estão envolvidos nesta edição 144 realizadores.
O CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela é um dos mais antigos do mundo dedicados à temática, realizando-se anualmente, em outubro e de forma ininterrupta, desde 1995, por iniciativa do município de Seia.








