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Papa Leão XIV assinala momento difícil do exército português após morte de militares

Militares morreram atropelados na A1 quando pararam para ajudar um camionista

O Papa Leão XIV assinalou o "momento difícil" que o exército português atravessa, após a morte de dois militares atropelados na A1 enquanto prestavam auxílio a um camionista, disse hoje à Lusa o bispo das Forças Armadas e Segurança.

Na sexta-feira, dois militares morreram atropelados na A1 quando pararam para ajudar um camionista e esse foi um dos temas da conversa do Papa com uma comitiva de 129 elementos, "representativas de todos os ramos, quer das forças armadas quer das forças de segurança", organizada pelo Ordinariato Militar em Portugal, explicou Sérgio Dinis.

"Quisemos reunir com sua Santidade, o Papa, para que ele tenha a consciência que Portugal está ao serviço da paz", afirmou o bispo português, salientando que, na audiência privada, Leão XIV comentou o "momento difícil que o exercito português passa com na morte de dois militares" que "estavam como [a parábola do] Bom Samaritano a prestar assistência no caminho".

Na audiência, segundo o bispo, o Papa leu uma passagem da Bíblia, evocando o exemplo de um centurião romano que procurou "ser um ponto de equilíbrio de dialogo e de diplomacia", numa comparação com o que deve ser o comportamento dos militares e forças de segurança.

Porque a "paz começa sempre no coração de cada homem", afirmou Sérgio Dinis, salientando que Portugal tem estado empenhado em processos de pacificação em todo o mundo, como são exemplo as forças destacadas na República Centro-Africana e em Moçambique.

"Quisemos assinalar que apesar de termos uma população bem diminuta procuramos ajudar a manter a paz no mundo", disse, salientando que esta visita, também procurou reforçar o trabalho pastoral na formação moral e ética dos quadros das forças de segurança e forças armadas.

A "Igreja quer estar junto destes homens para lhes transmitir caminhos de paz, ajudá-los na sua vivência espiritual para serem construtores de paz", acrescentou.

No pedido de audiência privada, a que a Lusa teve acesso, o bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança invocou os 60 anos da criação do Vicariato Castrense e os 25 anos do decreto que autonomizou a diocese do Patriarcado de Lisboa.

Essas datas, a par dos 40 anos da constituição apostólica que define como deve ser o "cuidado pastoral da Igreja por aqueles que servem a paz e a segurança das nações", justificam o pedido de um encontro para "renovar a comunhão com o Santo Padre e para expressar, diante dele, a gratidão e a fidelidade da Igreja que serve pastoralmente os militares e as forças de segurança do nosso país".

No documento, o bispo também quis agradecer o esforço de Leão XIV, no seu "incansável apelo à paz, à reconciliação entre os povos e à responsabilidade ética das nações".

Da comitiva fez parte o ministro da Administração Interna, Luís Neves, chefias militares, GNR e da PSP, sacerdotes e um representante do ministro da Defesa.

Luís Neves "atribui particular significado a esta audiência, enquanto responsável pela tutela das forças de segurança, valorizando a oportunidade de acompanhar os profissionais que diariamente protegem as pessoas, preservam a paz e garantem a segurança das comunidades", refere o Ministério da Administração Interna, que publicou uma nota sobre o assunto.

Trata-se de uma "missão que converge com os apelos que o Papa Leão XIV tem transmitido ao longo do primeiro ano do seu pontificado, em defesa da paz, da reconciliação entre os povos e da responsabilidade ética das nações", pode ainda ler-se na nota do ministério.

Agosto 24, 2026 . 17:00

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