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Ordem dos Médicos alerta para reformas no INEM centradas nas necessidades dos doentes

Mais de 26 mil doentes críticos não foram socorridos pelo INEM de acordo com relatório de atividade dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes e Meios de Emergência Médica do INEM

A Ordem dos Médicos (OM) manifestou preocupação com o relatório de atividade do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), defendendo reformas estruturais que privilegiem as necessidades dos doentes.

Em comunicado, a OM referiu que "Portugal precisa de um INEM forte, moderno e resiliente, capaz de se modernizar e de responder às necessidades dos cidadãos", acrescentando que "os doentes, e só os doentes, são a medida do sucesso" da emergência pré-hospitalar.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes salientou que "o debate sobre o INEM tem de deixar de estar centrado apenas na organização interna do Instituto", devendo o "foco principal estar nos doentes", pois um modelo eficaz "mede-se pela capacidade de prestar uma resposta mais rápida, mais segura e mais eficaz a quem precisa de ajuda".

O relatório de atividade dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes e Meios de Emergência Médica do INEM revelou que, em 2025, mais de 26 mil doentes críticos não foram socorridos com os meios mais adequados, apesar da melhoria na taxa de paragem das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM), que ainda permaneceu acima dos 38%.

Segundo a OM, o sistema está sob elevada pressão, tendo sido registadas mais de 1,6 milhões de chamadas de urgência e realizados 1,44 milhões de acionamentos de meios de emergência nesse ano.

O relatório identificou constrangimentos como a pressão sobre os recursos humanos, o défice de técnicos de emergência pré-hospitalar face às necessidades operacionais, o recurso significativo a trabalho extraordinário e limitações na operacionalidade de alguns meios. A OM alertou para a importância de analisar estes dados face ao "potencial impacto na resposta efetiva prestada".

A Ordem dos Médicos defende que "Portugal deve acompanhar, de forma transparente, os tempos de resposta, os resultados clínicos dos doentes com patologias tempo-dependentes, como o AVC, o enfarte, o trauma grave e a sépsis, e todos os restantes indicadores essenciais da qualidade e segurança da atividade pré-hospitalar".

Todos os profissionais do setor devem estar envolvidos em "qualquer processo de melhoria, mudança e reforma" do INEM, que deve dar prioridade à "resposta no terreno, melhorar a articulação entre todos os intervenientes e garantir mais qualidade e segurança para os doentes".

A OM agendou para esta semana uma reunião com o presidente do INEM para analisar os dados disponíveis, acompanhar as medidas em curso, conhecer as mudanças previstas no âmbito da reforma e contribuir para soluções que reforcem a emergência médica em Portugal, além de outras reuniões com médicos do setor.

O relatório destaca ainda um défice de 24% no quadro de pessoal e problemas de operacionalidade das ambulâncias, que em 38% dos casos não puderam sair por falta de meios.

Globalmente, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes receberam em 2025 um total de 1.656.891 chamadas de emergência, uma média diária de 4.539 chamadas, representando um aumento de 11,2% em relação a 2024, o que corresponde a mais 468 chamadas atendidas por dia.

Agosto 24, 2026 . 13:00

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