
Sindicato do Ensino Superior preocupado com número de estudantes pobres colocados
“Esse é o número mais alarmante”, considerou José Moreira, sublinhando que o contexto socioeconómico das famílias continua a determinar o acesso de muitos jovens ao ensino superior e, em particular, aos cursos mais competitivos.
Cerca de 1.600 alunos beneficiários do escalão A de ação social escolar conseguiram colocação na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais do que em 2025.
Ainda assim, e apesar do aumento face ao passado, os estudantes mais pobres representam este ano apenas 3% do total de 49.991 colocados, quando em 2025 representavam 3,5%.
A maioria dos estudantes carenciados ingressou através do contingente prioritário criado em 2023, e utilizado este ano por 1.252 alunos.
O contingente prioritário para beneficiários de ASE A foi criado em 2023, pelo Governo liderado por António Costa, passando a reservar 2% das vagas da 1.ª fase do concurso para os estudantes mais carenciados e que têm normalmente maiores dificuldades no acesso ao superior.
Nesse ano, o número de beneficiários de escalão A duplicou no ensino superior, chegando aos 2.800 jovens carenciados.
Para o presidente do SNESup, o contexto socioeconómico das famílias continua a ser determinante nas escolhas dos estudantes no final do ensino secundário e a barreira é particularmente alta nas formações mais procuradas.
“Existe uma correlação direta entre as formações que exigem uma nota de entrada mais elevada e a situação socioeconómica dos alunos que entram para estas formações”, afirmou José Moreira, referindo-se a uma espécie de filtro no acesso àqueles cursos.
Para o dirigente sindical, a resposta ao problema não pode começar no momento do acesso ao ensino superior, mas antes, na qualidade do ensino secundário.
“É preciso encontrar modelos de funcionamento da escola pública em que as aprendizagens sejam estimuladas sem ser necessário recorrer a ajudas externas, como é o caso das explicações”, acrescentou.
A este propósito, José Moreira disse também que, muitas vezes, os docentes do ensino superior verificam um desfasamento entre os conhecimentos esperados à entrada na universidade e as aprendizagens que os alunos trazem do ensino secundário.
“As instituições têm capacidade para suprir os problemas de formação que alguns destes alunos têm, assim sejam dadas condições a quem nelas trabalha para o poderem fazer”, explicou.
Considerando que o aumento do número de estudantes colocados representa uma boa notícia para o sistema de ensino superior, o presidente do SNESup insistiu que “o principal desafio para o país” é melhorar a qualidade da formação, tanto ao longo da escolaridade obrigatória como no ensino superior.
Entre os mais de 60 mil candidatos à 1.ª fase do CNAES, 49.991 conseguiram colocação numa instituição de ensino superior pública, mais 6.092 do que no ano passado, ocupando 88,9% das vagas.
Apesar dos problemas registados no processo de classificação dos exames nacionais e divulgação das notas, este é o maior número de colocados da última década, com exceção de 2020, ano em que foram adotadas regras excecionais para a conclusão do ensino secundário e ingresso no superior devido à pandemia da covid-19.
As colocações da 1.ª fase do CNAES foram divulgadas hoje na página do IES, disponível em www.dges.gov.pt, e os estudantes colocados têm até 27 de agosto para realizar a matrícula.
As candidaturas à 2.ª fase do concurso decorrem entre 24 de agosto e 20 de setembro, com pelo menos 6.639 vagas que ficaram por ocupar.








