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Seis países europeus e Canadá pedem que Israel pare colonatos na Cisjordânia

A tomada de posição refere em concreto o projeto de expansão do colonato E1, com cerca de 3.400 unidades habitacionais

Seis países europeus, entre os quais Reino Unido, França, Alemanha e Itália, e o Canadá apelaram hoje a Israel para que interrompa de imediato a expansão dos colonatos na Cisjordânia, incluindo o megaprojeto E1, que consideram inaceitável.

“Instamos o Governo de Israel a revogar imediatamente estes planos e a pôr fim à expansão dos colonatos na Cisjordânia. Não só nos afastarão ainda mais da paz, como também prejudicarão ainda mais a reputação internacional de Israel”, afirma o grupo de países ocidentais numa declaração conjunta subscrita também por Noruega e Países Baixos.

A tomada de posição refere em concreto o projeto de expansão do colonato E1, com cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma’ale Adumim e Jerusalém Oriental.

Na prática, este megaprojeto ameaça dividir em dois a Cisjordânia e a viabilidade do Estado Palestiniano.

“A decisão do Governo israelita de publicar concursos para o projeto de colonato E1 é inaceitável. O colonato E1 prejudicará a perspetiva da solução de dois Estados, criando uma cisão na Cisjordânia e comprometendo a contiguidade territorial dos Territórios Palestinianos”, sustentam os países subscritores.

A declaração observa que “o direito internacional é claro” e que “os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais”, posição que diz estar apoiada reiteradamente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Numa altura de grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência dos colonos contra civis e graves restrições à economia palestiniana, esta decisão é ainda mais preocupante”, refere a posição conjunta.

A comunidade internacional “há muito que se opõe a esta expansão” e tem manifestado “graves preocupações, tanto em privado como em público”, reforçam os governos ocidentais, que deixam também um apelo às empresas para que se abstenham de participar em concursos para a construção dos colonatos.

“Devem estar cientes das consequências legais e de reputação, incluindo o risco de se envolverem em graves violações do direito internacional”, adverte a declaração dos sete países, que reafirma o compromisso “com uma paz abrangente, justa e duradoura, baseada na solução de dois Estados” e de continuar a agir “no seu interesse”.

O projeto E1 foi aprovado em agosto de 2025, apesar de protestos das autoridades palestinianas e da comunidade internacional.

Na terça-feira, o Ministério da Habitação abriu um concurso para a construção de 1.200 habitações integradas no projeto, segundo relatos da organização não-governamental israelita Paz Agora e da imprensa israelita.

Os interessados têm até 19 de outubro para apresentar uma proposta, oito dias antes das eleições legislativas em Israel, nas quais se disputa a continuidade do Governo chefiado por Benjamin Netanyahu em coligação com a extrema-direita, que tem defendido a anexação da Cisjordânia.

Após a divulgação da declaração conjunta, o ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prévot, pediu ao Governo israelita que retire os concursos para aquelas 1.200 casas do projeto E1.

Trata-se de uma decisão “inaceitável”, segundo o chefe da diplomacia de Bruxelas numa mensagem nas redes sociais, e “põe em risco as perspetivas de paz e segurança” para israelitas e palestinianos".

Antes de subscrever o pronunciamento conjunto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico convocou na quarta-feira a encarregada de negócios israelita para exigir a suspensão da construção da área E1.

Segundo o ministério tutelado por Ed Miliband, Londres transmitiu à diplomata israelita a sua "profunda objeção a esta medida” do Governo israelita.

Em reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita rebateu hoje na rede social X o homólogo britânico, argumentando que “o povo judeu tem o direito de viver em todo o território de Israel, tal como os britânicos têm o direito de viver em Londres e em todo o Reino Unido".

Gideon Saar acusou o Reino Unido de "culpar apenas Israel, ignorando o extremismo palestiniano", o que diz alimentar os ataques antissemitas contra a comunidade judaica britânica.

Israel tem em vigor restrições significativas à liberdade de circulação dos palestinianos da Cisjordânia, que têm de obter autorizações para passar pelos postos de controlo e deslocar-se a Jerusalém Oriental ou a Israel. Em muitos casos, são vedados.

Cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia ao lado de mais de 500 mil israelitas instalados em colonatos, classificados como ilegais pelo direito internacional.

A violência intensificou-se na Cisjordânia desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, com o registo de episódios de confrontos quase diários pela parte de colonos radicais contra a população local, que enfrenta também incursões regulares do exército.

Segundo as Nações Unidas, 1.111 palestinianos, dos quais pelo menos 243 crianças, foram mortos desde então até meados de julho na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, em ataques atribuídos a colonos radicais ou incursões militares do exército.

Agosto 20, 2026 . 21:45

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