
“Queremos construir um território progressivamente mais acessível”
A Feira de São Mateus recebeu o 1.º Encontro Turismo Inclusivo em Viseu. O palco do Pavilhão Multiusos reuniu especialistas, representantes de entidades, associações e outros convidados num programa que visou colocar as barreiras ainda existentes no centro da discussão.
Na sessão de abertura da iniciativa, Marta Rodrigues, vereadora de Ação Social da Câmara Municipal de Viseu, destacou o orgulho em participar na primeira edição, sublinhando que a realização da iniciativa resultou do trabalho desenvolvido pelo grupo de trabalho das pessoas vulneráveis e das pessoas com deficiência do Conselho Local de Ação Social (CLAS) de Viseu. “Esta iniciativa não surge isolada. Não surge do nada. É uma medida que está no nosso plano de ação e, por isso, os meus parabéns por esta iniciativa e por todo o trabalho desenvolvido. Revela, sobretudo, uma evolução na forma como todos nós entendemos a inclusão”, referiu.
“A intervenção social não pode limitar-se à proteção durante situações de vulnerabilidade, mas deve, sim, criar condições para a participação efetiva de todas as pessoas na nossa comunidade. O acesso à cultura, ao lazer e ao turismo não é acessório. É um direito que é reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e, por isso, compete-nos a nós, enquanto município, enquanto promotor das políticas públicas locais e também às próprias entidades, este reconhecimento formal em condições reais de acesso, participação e autonomia”, defendeu a autarca.
“A acessibilidade deve estar presente na forma como planeamos o espaço público, como organizamos os eventos, como comunicamos, como programamos a nossa atividade cultural e qualificamos a nossa oferta turística no território”, acrescentou, admitindo que o encontro “permite aproximar setores que nem sempre trabalham em conjunto”. “Esta é, efetivamente, a grande novidade deste primeiro encontro. Permite pôr a trabalhar em conjunto o setor social, o turismo, a cultura, os agentes económicos e as próprias pessoas com deficiência de capacidade”, destacou.
“A informação, a deslocação, o acolhimento ou a comunicação têm todas que estar devidamente incluídas. O concelho de Viseu e aquilo que são as políticas municipais têm já trabalho desenvolvido nesta matéria, mas este encontro, e espero que isto aconteça, vai-nos ajudar a perceber o que falta fazer e como é que podemos fazer melhor. Mais do que afirmar Viseu como um destino acessível, queremos construir com a exigência de forma participada um território progressivamente mais acessível”, concluiu.
Armando Torrinha, do Núcleo Executivo do CLAS de Viseu, enalteceu que o encontro tem como objetivo criar um documento que será depois enviado ao município de Viseu. “Com certeza que vai também fazer todos os esforços para que possamos, cada vez mais, termos um território inclusivo”, sublinhou. “Viseu está a ser um território bastante turístico e penso que todos juntos vamos conseguir tornar o concelho muito mais inclusivo para todos as pessoas”, referiu.
O encontro juntou Miguel Sanches, da Direção Executiva da BIOSPHERE, Nuno Cunha Leal, representante da Região Centro da Accessible Portugal, Luís Castanheira, administrador do Grupo Pestana e representante da Visabeira Turismo e Imobiliária, Jaime Ferreira, gestor de Operações da Sportnatura Caramulo, Sílvia Ribau, diretora do Departamento de Estratégia e Operação do Turismo Centro de Portugal, e Odete Paiva, diretora do Museu Nacional Grão Vasco, entre outros convidados.








