Última Hora
Pub Dv Festasatao 20260810
Pub Dv Projetosaprovados 20260720
Pub

Calor intenso antecipa vindima que no Alentejo começou em julho

Os períodos de calor intenso que se têm sentido no país levaram a vindima, cujo início tradicionalmente tinha lugar em setembro, a ser antecipada em algumas regiões, como no Alentejo, onde as colheitas começaram em julho.

“A data da vindima varia bastante entre regiões, castas e parcelas […]. Ainda assim, temos observado uma tendência de antecipação em várias regiões, associada, sobretudo, ao aumento das temperaturas e à maior frequência de períodos de calor intenso, que aceleram a maturação da uva”, referiu o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, em resposta à Lusa.

No Douro, verificou-se uma antecipação das vindimas na ordem de uma a duas semanas.

Já nas regiões mais quentes, como o Tejo e o Alentejo, a colheita começou durante as últimas semanas de julho.

Contudo, a associação lembrou que mais do que manter a data da colheita é importante colher cada parcela quando “existe o equilíbrio adequado entre maturação, acidez, açúcar e perfil aromático”.

Frederico Falcão disse que as alterações climáticas obrigam a uma monitorização da vinha cada vez mais rigorosa, bem como a decisões mais rápidas.

Por outro lado, é necessário fazer uma utilização mais eficiente da água, uma gestão criteriosa do solo e ter uma maior precisão na escolha na data da vindima e de práticas que permitam proteger os cachos.

“Se há uns anos era prática comum deixar os cachos mais expostos para que a maturação fosse mais rápida, hoje faz-se o contrário, deixando os cachos protegidos pela folhagem das videiras. As soluções dependem de cada região e de cada exploração”, explicou.

Segundo dados da ViniPortugal, o país conta com mais de 250 castas autóctones identificadas, com comportamentos diferentes face ao calor, à seca e ao stress hídrico.

Assim, conforme apontou, em algumas regiões poderá fazer sentido aumentar progressivamente a utilização de castas mais tardias ou mais resistentes ao calor e à falta de água.

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, disse à Lusa que, em média, “nos últimos 15 anos”, as vindimas têm lugar cada vez mais cedo devido às alterações climáticas, o que também levou à adaptação da tecnologia e do conhecimento agronómico e enológico.

“[…] Apesar de as vindimas terem, em média, recuado no calendário, não recuaram na qualidade do produto, aliás, antes pelo contrário”, assinalou.

Luís Mira sublinhou que os métodos de produção e de vinificação permitem hoje controlar melhor a evolução da fruta, ter melhores cuidados durante o período de produção e assim evitar pragas e doenças.

“A tecnologia hoje é transversal, da vinha até ao copo do consumidor. A procura por vinhos menos alcoólicos, a inversão do consumo de vinhos brancos e rosés, que tem aumentado, a menor procura por vinhos licorosos e fortificados são mais resultado das escolhas dos consumidores do que das alterações climáticas”, acrescentou.

Do lado das empresas, a Quinta de Lemos, que produz vinhos do Dão, confirmou esta nova realidade, com a vindima a ser antecipada entre duas a três semanas face à média dos últimos anos.

Com isto, segundo o enólogo da Quinta de Lemos Hugo Chaves, é preciso reorganizar a mão-de-obra, sobretudo, numa altura em que são necessários mais trabalhadores.

A falta de mão-de-obra tem sido também sentida pela Vicentino Wines, na Costa Vicentina, e na d’A Cooperativa, na Ilha do Pico.

“Através de empresas de trabalho temporário conseguimos, mas a capacidade e qualidade de trabalho é cada vez menor”, apontou o enólogo das duas empresas, Bernardo Cabral.

Já no que se refere à vindima na Vicentino Wines e na d’A Cooperativa está a decorrer em linha com a média dos anos anteriores.

“O ano vitícola 2025/2026 está a acontecer sem sobressaltos. A pluviosidade registada levou a uma boa disponibilidade de água, muito importante para o desenvolvimento da planta. A primavera e o verão estão a ser relativamente amenos permitindo um ótimo ritmo de maturação da uva. No entanto, temos vindo a adaptar algumas práticas culturais como enrelvamentos na entrelinha para reter humidade no solo, gestão de rega através de equipamentos e programas que nos dão informação precisa sobre as necessidades da planta”, precisou.

Também nas uvas de mesa, a colheita está a decorrer dentro do habitual calendário e sem sobressaltos.

Na Frutalmente, que detém a Dona Uva, espera-se uma “colheita normal, com produções ideais para a cultura”, esperando-se assim uma campanha superior à do ano passado, com cerca de três milhões de quilogramas (kg).

Ainda assim, o diretor executivo da Frutalmente, Mário Rodrigues disse à Lusa que tem sido necessário adaptar as condições de produção devido às alterações climáticas, destacando-se, por exemplo, a gestão fitossanitária que “é cada vez mais exigente pela instabilidade climática e pela maior pressão de doenças”.

Para mitigar este contexto, a empresa tem cerca de 40% da produção feita em sequeiro, reduzindo a dependência da água, e tem um sistema de cachos em troncos mais altos, aumentando a produção e a rastreabilidade da colheita.

Já a escassez de mão-de-obra é também um problema para a Frutalmente que, nos meses de campanha, recorre à subcontratação de empresas de trabalho temporário e de prestação de serviços, de modo a satisfazer as necessidades de colheita e a garantir o fornecimento dos clientes.

Agosto 15, 2026 . 14:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Seguir
Receba notificações sobre
0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right