
"Playback": homenagem a Carlos Paião conquista público português
O filme "Playback", realizado por Sérgio Graciano e centrado no músico Carlos Paião, registou 11.190 espectadores no fim de semana da sua estreia, tornando-se o filme português mais visto nos cinemas em 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual.
Entre quinta-feira, dia da estreia, e domingo, "Playback" arrecadou aproximadamente 77.797 euros em receita de bilheteira, superando a longa-metragem "Projecto Global", de Ivo M. Ferreira, que estreou em abril com 9.208 espectadores.
No conjunto dos filmes exibidos no mesmo período, "Homem-Aranha: Um novo Dia" manteve-se o mais visto em Portugal, com 124.666 entradas no fim de semana e um total acumulado de 485.803 espectadores desde a estreia, a 30 de julho.
"Playback" recorda e reinterpreta momentos marcantes da vida e carreira de Carlos Paião, incluindo a sua participação no Festival da Canção, a formação em Medicina e o casamento com Zaida Cardoso.
O realizador Sérgio Graciano afirmou que "quis fazer a história do homem e não a história do mito. Foi um homem brilhante, um letrista incrível" durante a antestreia do filme em Lisboa, no final de julho.
O ator Rafael Ferreira protagoniza o filme, tendo sido escolhido num casting que envolveu mais de duzentos candidatos. Iniciou a carreira em 2017 e, apesar de algumas experiências em teatro, cinema e televisão, considera este o seu "primeiro trabalho de maior destaque e também uma grande responsabilidade", pela homenagem que presta ao músico.
O elenco inclui ainda Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo.
A banda sonora foi criada pelo músico Paulo Furtado, conhecido como The Legendary Tigerman, que retrabalhou as canções de Carlos Paião com os músicos que o acompanham regularmente e com Rafael Ferreira.
Entre as músicas escolhidas para a banda sonora está um tema inédito, "Lisboa Lisboa", que Carlos Paião nunca chegou a editar. Paulo Furtado descreveu esta canção como "uma canção de amor dedicada a Lisboa" e tocou-a com Rafael Ferreira no festival Alive, em Oeiras.
Produzido pela Caos Calmo, o filme tem argumento de Mário Cenicante e contou com a colaboração de Zaida Cardoso, mulher de Carlos Paião.
Carlos Paião nasceu em 1 de novembro de 1957, em Coimbra, e faleceu a 26 de agosto de 1988 na sequência de um acidente de automóvel. Entre estas datas, estudou Medicina antes de optar pela música, tendo composto mais de duzentas canções que se integraram no cancioneiro pop português.
Entre os seus temas mais conhecidos estão "Cinderela", "Pó de arroz", "Vinho do Porto", "Souvenir de Portugal" e "Playback". Editou os álbuns "Algarismos" (1982) e "Intervalo" (1988).
Ao longo da carreira, colaborou com o humorista Herman José, para quem escreveu canções da personagem Serafim Saudade, e trabalhou também com cantores como Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia.









