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Produtores de leite contestam nova descida do preço ao produtor e exigem reposição

Associação alerta para abandono da atividade e aumento dos custos de produção face a descidas de preço em Portugal e Açores

Os produtores de leite contestaram a nova descida do preço pago ao produtor, anunciada para agosto, e exigem a sua reposição já em setembro, alertando para o risco de abandono da atividade numa altura em que os custos de produção aumentam.

Em comunicado, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) afirma que "estas descidas vão provocar o abandono da atividade por parte dos mais velhos e vão desanimar os jovens que pensavam investir e instalar-se na produção de leite".

A Aprolep alerta que as descidas do preço ao produtor ocorrem num "período crítico de incêndios, que são cada vez mais graves por causa do abandono dos territórios e dos campos à volta das aldeias", destacando que "os campos cultivados alimentam o país e protegem as populações".

Segundo a associação, as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor, com efeitos a partir de 01 de agosto, em todo o território continental.

Na ilha de São Miguel, nos Açores, as cooperativas Prolacto e Insulac responderam com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, justificando a redução com a situação dos mercados a nível nacional e internacional.

A Aprolep sublinha que esta descida ocorre num momento em que aumentam os custos de produção com combustíveis e rações e se prevê uma redução na produção de milho silagem devido às ondas de calor.

Prevê-se "menos alimento para os animais, que vai ser provavelmente o mais caro de sempre, por causa dos fertilizantes e sobretudo das maiores necessidades de rega, onde houver água, e da menor produção esperada por falta dessa água ou da capacidade de regar face à onda de calor".

A associação considera que estas descidas são injustas porque "o preço do leite ao produtor em Portugal nunca acompanhou as subidas registadas no Norte da Europa ou até mesmo aqui ao lado, na Espanha".

Além disso, recorda que a ajuda que o Governo deu aos agricultores em Portugal "foi várias vezes inferior à ajuda que os agricultores espanhóis", seus principais concorrentes, receberam devido à guerra no Irão e ao fecho do estreito de Ormuz.

Neste contexto, a Aprolep "desafia os restantes compradores a manter o preço do leite ao produtor e desafia quem desceu a repor o preço no próximo mês de setembro".

A associação defende que se aposte na produção de queijos, iogurtes e outros produtos lácteos "capazes de substituir os produtos importados, que representam um défice de 400 milhões de euros".

Desafia ainda as indústrias e cooperativas "a partilhar os resultados através do melhor preço aos produtores", para que estes "possam fazer face aos custos de produção e efetuar os investimentos necessários para o futuro da produção de leite".

Por fim, a Aprolep renova o apelo ao consumo de leite e produtos lácteos nacionais, salientando que são "produtos de qualidade reconhecida, mais próximos, mais frescos e melhores para a economia de Portugal".

Agosto 4, 2026 . 12:45

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