A Decadência Democrátia
No início os dirigentes tinham a sua origem na oposição ao anterior, regime, mas depois, pouco a pouco, os dirigentes surgiram naturalmente do regime democrático. Entre as duas fases parece ser hoje evidente uma perda de qualidade das direcções políticas dos partidos, o que se tem refletido na qualidade da governação do País.
Enquanto os primeiros governos consolidaram a democracia, terminaram as guerras coloniais e realizaram a adesão ao que é hoje a União Europeia, posteriormente apenas os governos de Cavaco Silva apresentaram resultados positivos. Desde logo, a entrada no euro, a realização das privatizações, o desenvolvimento do sector industrial com o PEDIP e a AutoEuropa e terminaram com as barracas nas grandes cidades, tudo apoiado num crescimento económico que não mais se verificou.
Depois de Cavaco Silva, a perda de qualidade dos dirigentes políticos foi evidente. Na fase seguinte, os governos de António Guterres fizeram a transição da qualidade dos governantes, quando ao lado de homens de grande competência e seriedade como Sousa Franco e João Cravinho, chegou uma nova geração com José Sócrates, Pina Moura, António Costa e Augusto Santos Silva, dirigentes cuja contribuição para a história foi o aprofundamento dos interesses económicos e financeiros na governação, modelo que chegou aos nossos dias, a par com o endividamento do País.
Acresce que a economia portuguesa deixou de ter o crescimento anterior, o investimento decresceu, a Assembleia da República perdeu qualidade e a pobreza, que António Guterres tentou combater, institucionalizou-se.
De facto, nenhum dos governos posteriores poderá hoje ser recordado por algum sucesso relevante, para além do sucesso individual dos políticos portugueses escolhidos para instituições internacionais. De facto, a obtenção de empregos, nacionais e internacionais, tornou-se uma particular especialidade da democracia portuguesa.
António Guterres foi a primeira oportunidade perdida, a que se seguiu o desastre de José Sócrates, desastre que previ e que combati desde o início. Por exemplo: quando Sócrates se candidatou a secretário-geral do PS publiquei uma carta aberta aos socialistas prevenindo-os do erro da sua eleição e dizendo que João Soares e Manuel Alegre seriam melhores candidatos. O resultado é hoje conhecido.
Pedro Passos Coelho foi o senhor que se seguiu, acompanhado da Troika e o seu governo teve o mérito de ter retirado Portugal da bancarrota de forma determinada, mas ainda sem uma estratégia de desenvolvimento do país e cometeu o erro de parar o projecto da ferrovia de bitola europeia, projecto que estava financiado pelo Banco Mundial.
António Costa perdeu as eleições em 2015 e para chegar a primeiro-ministro aceitou o repto do PCP e lançou-se na geringonça, colocando o País na rota do esquerdismo nacional e internacional como modelo de governação, mas com cedências aos centros de poder económico mais conservadores da área do Estado.
Sob a batuta do PCP nacionalizou a TAP, criou o desastre da criação do SIRESP a preços absurdos, comprou os helicópteros russos Kamov e, novamente sob a batuta do PCP e do Bloco, resolveu defender a CP nacionalizada da concorrência internacional, para o que mudou a bitola da ferrovia de europeia para ibérica, um erro de consequências trágicas no futuro das exportações portuguesas, mas com vantagens de curto prazo para algumas empresas, nacionais e internacionais.
Além de ter reforçado o assalto ao Estado pela grande família socialista e de uma certa convivência pacifica com a corrupção. Erros que presentemente o PSD está a usar a seu favor e na defesa dos mesmos centros de poder económicos e financeiros e com a mesmas ausências de projecto e de planeamento.
Em resumo, assistimos à decadência do processo democrático herdado do 25 de Abril, através da concentração de todo o poder nos partidos, com a recusa dos eleitores poderem escolher os seus representantes na Assembleia da República e nas autarquias. Em resumo: os partidos colocaram o Estado ao seu serviço.
Notas: A seguir ao 25 de Abril, os partidos criaram, com algumas ajudas internacionais, centros de estudo e de planeamento, os quais rapidamente os partidos deixaram cair, era trabalho demasiado para tão ilustres cabeças.






